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O que levou a CVM a montar uma força-tarefa no caso Master

A CVM criou uma força-tarefa para organizar apurações sobre liquidações bancárias, fundos sob suspeita e pagamentos bilionários do FGC ao mercado.
Imagem da fachada do Banco Master para ilustrar uma matéria jornalística sobre a atuação do CVM no caso Master
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), diante do avanço das apurações sobre o caso Master, decidiu estruturar uma força-tarefa interna para organizar e aprofundar o acompanhamento do episódio que envolve liquidações bancárias, fundos de investimento e suspeitas de irregularidades financeiras. A iniciativa foi formalizada nesta sexta-feira (06), em meio à atuação simultânea do Banco Central e da Polícia Federal.

O Comitê de Gestão de Riscos da CVM aprovou o grupo de trabalho, que começa a atuar em 9 de fevereiro e terá prazo estimado de até três semanas. Ao final do período, a equipe entregará um relatório que servirá de base para deliberação interna e eventual revisão de práticas regulatórias.

CVM no caso Master e a consolidação das informações

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários, a criação do grupo segue os mecanismos regulares de governança e gestão de riscos. Nesta fase preliminar, o comitê já reuniu informações produzidas pelas áreas de supervisão, fiscalização e acusação, além de comunicações encaminhadas a outros órgãos públicos.

O objetivo da CVM é consolidar procedimentos instaurados ao longo dos últimos anos e integrar o acompanhamento de inquéritos relacionados ao caso Master. A CVM também indicou que o trabalho pode subsidiar avaliações sobre ajustes em regulação, governança processual e cooperação institucional, quando considerados pertinentes.

Liquidação do Banco Master e o impacto financeiro

O pano de fundo da atuação da CVM no caso é a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, após o diagnóstico de incapacidade da instituição de honrar seus compromissos. Desde então, o Fundo Garantidor de Créditos assumiu o pagamento das garantias aos credores.

Até agora, o FGC informou ter desembolsado R$ 36 bilhões, o equivalente a 89% do montante previsto. Cerca de 628 mil beneficiários já receberam recursos, representando 81% do total de credores com direito à garantia. O fundo também estima pagar R$ 6,3 bilhões relacionados ao Will Bank, instituição ligada ao conglomerado.

Caso Master e os fundos sob investigação

As apurações envolvendo o caso Master também alcançam a atuação da Reag, hoje rebatizada como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A DTVM teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026, após o descumprimento de regras legais e prudenciais.

Apesar da medida, o BC informou que os fundos administrados seguem ativos e devem buscar novos gestores. As investigações se concentram em operações que teriam inflado patrimônios e ocultado riscos, com suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro, segundo os órgãos envolvidos.

A engrenagem financeira descrita pelo Banco Central

Em documentos citados nas apurações, o Banco Central detalhou uma estrutura de circulação acelerada de recursos entre fundos ligados à Reag, com retorno ao próprio Banco Master por meio de aplicações financeiras. Um dos episódios envolve títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).

Embora os papéis tenham sido adquiridos por cerca de R$ 850 milhões, registros contábeis indicaram valores superiores a R$ 10 bilhões. Fundos do mesmo grupo revenderam parte desses ativos entre si, ampliando distorções contábeis e dificultando o rastreamento do dinheiro.

No âmbito regulatório, a questão é abordada de maneira integrada entre o mercado de capitais, o sistema bancário e os mecanismos de garantia. O relatório da força-tarefa da CVM tende a orientar os próximos passos do Master diante de um episódio que segue produzindo efeitos no sistema financeiro.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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