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Preço do ouro recua com alívio geopolítico e dólar mais forte

O preço do ouro caiu com dólar forte e alívio entre EUA e Irã, mas bancos como UBS e Deutsche Bank mantêm projeções elevadas para o metal nos próximos meses.
Preço do ouro reage ao dólar e à geopolítica
Preço do ouro recua em Nova York com dólar forte e menor tensão geopolítica. Imagem: Canva

O preço do ouro encerrou a quinta-feira (05/02) em queda no mercado internacional, pressionado pelo fortalecimento do dólar e pelo alívio das tensões entre Estados Unidos e Irã. O contrato mais líquido do metal precioso voltou a operar abaixo de um patamar técnico relevante, em um pregão marcado por menor busca por proteção.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, o ouro para abril recuou 1,24%, para US$ 4.889,50 por onça-troy. A prata intensificou o ajuste e caiu 9,10%, a US$ 76,71 por onça, refletindo uma realização mais ampla nos metais preciosos ao longo da sessão.

Preço do ouro e o fator geopolítico

O recuo do preço do ouro ocorreu em meio à confirmação de uma reunião bilateral entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, marcada para esta sexta-feira (6), em Omã. O encontro reduziu a percepção imediata de risco, após dias de incerteza sobre a viabilidade do diálogo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações seguem em andamento, enquanto Washington confirmou oficialmente o encontro. Mais cedo, ruídos sobre o local da reunião haviam elevado a cautela dos investidores, cenário que se dissipou ao longo do dia.

Além disso, declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, sobre a situação interna do Irã adicionaram volatilidade ao noticiário. Ainda assim, o mercado priorizou o efeito prático do diálogo diplomático, o que reduziu a demanda defensiva no curto prazo.

Cotação do ouro sob pressão do dólar

Outro vetor determinante foi o avanço do dólar no exterior. Segundo analistas do ANZ, a moeda americana mais forte limitou o apetite por ativos denominados em dólar, como o metal precioso, mesmo em um ambiente global ainda carregado de incertezas.

Nesse contexto, o preço do ouro perdeu tração, uma vez que o câmbio atua diretamente sobre o custo do ativo para investidores fora dos Estados Unidos. A combinação entre dólar firme e menor prêmio geopolítico restringiu tentativas de recuperação ao longo do pregão.

Os analistas também destacam que ganhos mais consistentes dependem da continuidade da demanda física, especialmente da China. O consumo costuma aumentar antes do Ano Novo Lunar, fator que pode oferecer algum suporte às cotações nas próximas semanas.

Preço do ouro e projeções de bancos globais

Apesar da queda diária, grandes instituições mantêm avaliações construtivas para o preço do ouro em horizontes mais longos. Em relatório, o UBS estima que o metal possa alcançar US$ 6.200 por onça nos primeiros nove meses do ano, considerando cenários macroeconômicos alternativos.

Já o Deutsche Bank avalia que um dólar estruturalmente mais fraco pode levar o preço do ouro a US$ 6.000 até o fim de 2026. Para o mercado, a divergência entre o ajuste de curto prazo e as teses de médio prazo reforça a leitura de que o metal segue sensível a fatores conjunturais, sem perder relevância estratégica.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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