A construção com impressão 3D deixou de ser experimento e entrou no radar do mercado imobiliário brasileiro. A Cosmos 3D concluiu em Nova Lima (MG) uma residência de alto padrão com parte relevante da estrutura produzida por impressão automatizada em concreto, encurtando prazos e alterando custos operacionais.
O imóvel tem 420 metros quadrados, dos quais 250 foram executados com concreto impresso. A estrutura ficou pronta em 11 dias, e a obra foi entregue em oito meses. No método convencional, projetos desse porte costumam exigir até um ano e meio, segundo executivos do setor.
Construção com impressão 3D e a lógica econômica do canteiro
Para Daniel Katz, CEO do Grupo Katz e cofundador da Cosmos 3D, a construção com impressão 3D altera a lógica financeira do canteiro ao combinar automação, industrialização da obra e controle de custos. A empresa encerrou 2025 com faturamento de R$ 12 milhões, após amadurecer o sistema construtivo.
Além do prazo, a tecnologia atua sobre gargalos conhecidos da construção civil. Katz afirma que a impressão automatizada reduz a dependência de mão de obra especializada, melhora a padronização estrutural e contribui para a redução de resíduos. O uso racional de insumos também favorece a previsibilidade do cronograma.
Sistema construtivo digital e uso do concreto
O processo começa com um projeto BIM desenvolvido no Revit, convertido em modelo tridimensional. Em seguida, um software de fatiamento transforma o desenho em camadas executáveis pela impressora. A integração entre design digital, robótica e engenharia de materiais garante precisão geométrica.
Segundo Katz, a aceitação do mercado ocorre porque o material base é o concreto, já consolidado na construção. A Cosmos 3D levou cerca de seis meses para definir a composição ideal, após testar mais de 300 traços. O desenvolvimento completo do sistema exigiu aproximadamente 18 meses.
Construção com impressão 3D e planos de expansão
A construção com impressão 3D também sustenta a estratégia de expansão da empresa. A Cosmos 3D opera em Belo Horizonte e mantém base tecnológica em Valência, na Espanha, voltada a IoT, hardware e software. A companhia já vendeu máquinas para Portugal e negocia entrada em Canadá, Argentina e Chile.
No Brasil, a primeira residência impressa foi entregue em 2024, no sul da Bahia, com estrutura produzida em dois dias. Para Katz, a tendência é ampliar aplicações em projetos residenciais e populares, à medida que o modelo ganha escala industrial e previsibilidade financeira.





