Anúncio SST SESI

Japão reativa sua maior usina nuclear após 15 anos fora de operação

Kashiwazaki-Kariwa, a maior usina nuclear do Japão e a maior do mundo em potencial de geração, retomou operações após 15 anos, marcando uma mudança na política energética do país diante da busca por estabilidade elétrica e menor dependência externa. Continue lendo e saiba mais.
usina nuclear do Japão Kashiwazaki-Kariwa
A usina de Kashiwazaki-Kariwa, maior central nuclear do Japão, voltou a operar após 15 anos. (Foto: Reprodução)

A maior usina nuclear do Japão voltou a operar nesta segunda-feira (09/02) após permanecer desligada por mais de uma década. A central de Kashiwazaki-Kariwa, localizada na província de Niigata, retomou atividades às 14h no horário local, segundo a Tokyo Electric Power Company (Tepco), encerrando um período de paralisação iniciado após o desastre nuclear de Fukushima, em 2011.

Com capacidade instalada superior a 8 gigawatts, Kashiwazaki-Kariwa é a maior usina nuclear do país e também a maior do mundo em potencial de geração. A retomada ocorre depois de uma tentativa frustrada, aprovada em dezembro de 2025, e interrompida em janeiro por uma falha em um sistema de alarme. Assim, recolocando a energia atômica no centro do debate energético japonês.

Usina nuclear do Japão carrega histórico técnico e sísmico complexo

A construção da usina teve início em 1980, com o primeiro reator entrando em operação comercial em 1985. O complexo reúne sete reatores e foi pioneiro no uso da tecnologia Advanced Boiling Water Reactor (ABWR), considerada um avanço em eficiência e controle operacional nos anos 1990. No fim daquela década, a planta atingiu seu pico produtivo e se tornou peça-chave do sistema elétrico japonês.

Antes mesmo de Fukushima, a central já havia enfrentado um teste relevante. Em 2007, um terremoto de magnitude 6,6 atingiu a região de Niigata, levando à suspensão completa das atividades por quase dois anos. Embora não tenha havido vazamento radioativo, o episódio levou a inspeções extensas e reforços estruturais.

O desligamento prolongado ocorreu em março de 2011, quando o colapso da usina de Fukushima Daiichi levou o governo japonês a ordenar a parada gradual de todas as centrais nucleares do país. Apesar de Kashiwazaki-Kariwa não ter sido atingida pelo tsunami, a maior usina nuclear do Japão permaneceu fora de operação desde então. Inclusive, em meio a revisões regulatórias e resistência social.

Energia nuclear retorna ao planejamento energético japonês

A retomada da usina ocorre em um contexto de revisão da política energética nacional. Após anos de maior dependência de gás natural e carvão importados, o Japão passou a reavaliar fontes capazes de oferecer fornecimento contínuo e previsível. Isso, ao mesmo tempo em que busca reduzir emissões.

Além disso, autoridades defendem que o aumento estrutural da demanda elétrica exige fontes estáveis de geração. Inclusive, fatores como digitalização da economia e expansão de data centers ligados à inteligência artificial reforçam a operação. Nesse cenário, a energia nuclear volta a ganhar espaço no planejamento de médio prazo.

O ambiente político também se mostrou mais favorável. No domingo (08/02), a primeira-ministra Sanae Takaichi obteve vitória expressiva nas eleições. Garantindo, assim, a maioria confortável ao Partido Liberal Democrático na Casa, o que fortalece a agenda governamental de retomada nuclear.

Usina nuclear do Japão enfrenta resistência e desafios de confiança

Apesar da reativação, a decisão segue cercada por controvérsia. Manifestantes protestaram em frente à sede da Tepco no dia da retomada, refletindo a persistente desconfiança de parte da população local em relação à segurança nuclear, especialmente em regiões com histórico sísmico.

A operadora afirma que a usina passou por atualizações extensas, com novos protocolos de segurança, sistemas redundantes de refrigeração e planos de resposta a emergências. Ainda assim, a usina nuclear do Japão se tornou um teste simbólico da capacidade do país de conciliar demanda energética, custo e aceitação pública.

No cenário atual, o retorno de Kashiwazaki-Kariwa, portanto, sinaliza uma inflexão pragmática na política energética japonesa. Indicando, assim, que decisões futuras devem priorizar estabilidade do sistema elétrico e previsibilidade de oferta, mesmo em um país com um histórico complexo com a energia nuclear.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp