As vendas no varejo dos EUA ficaram inalteradas em dezembro, contrariando a expectativa do mercado e reforçando a leitura de perda de tração do consumo na virada do ano. O dado divulgado pelo Census Bureau veio após alta de 0,6% em novembro, enquanto economistas consultados pela Reuters projetavam avanço de 0,4% no último mês de 2025.
Embora o nível de gastos siga elevado, a estagnação ocorre em um contexto de pressão sobre o orçamento das famílias. Preços mais altos, efeitos de tarifas e um mercado de trabalho menos aquecido passam a moldar as decisões de consumo, com reflexos diretos nas projeções para o crescimento econômico.
Vendas no varejo dos EUA e a leitura do consumo
A estabilidade das vendas no varejo dos EUA ganha peso adicional quando se observa o núcleo do indicador. As vendas que excluem automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços de alimentação recuaram 0,1% em dezembro, após novembro ter sido revisado para alta de 0,2%.
Essa métrica acompanha mais de perto o componente de gastos do consumidor no Produto Interno Bruto. Por isso, a combinação de queda em dezembro e revisão negativa do mês anterior tende a levar analistas a reavaliar as estimativas para o quarto trimestre.
Além disso, o Census Bureau ainda atualiza séries afetadas por atrasos operacionais do ano passado. Esse fator adiciona cautela à leitura dos números, sobretudo em um período de transição do ciclo econômico.
Consumo sustentado e a conta da poupança
Mesmo com o dado fraco, as vendas no varejo dos EUA não apontam um recuo abrupto do consumo. O que muda é a fonte de sustentação. A taxa de poupança caiu para 3,5% em novembro, o menor nível em três anos, ante 3,7% em outubro.
Esse patamar contrasta com o pico de 31,8% registrado em abril de 2020. Em paralelo, a valorização do mercado acionário e os preços ainda elevados dos imóveis ampliaram a riqueza das famílias, ajudando a manter os gastos.
Ainda assim, a redução da poupança limita a margem de manobra do consumidor. Com menor colchão financeiro, qualquer choque adicional tende a ter impacto mais direto sobre o ritmo das compras.
Vendas no varejo dos EUA e o risco de revisão do PIB
O desempenho recente das vendas no varejo dos EUA ocorre após um terceiro trimestre marcado por forte expansão do consumo, que respondeu por grande parte do crescimento anualizado de 4,4% da economia naquele período.
Agora, a atenção se volta para a estimativa preliminar do PIB do quarto trimestre, que será divulgada na próxima semana. A leitura de dezembro reforça a possibilidade de ajustes para baixo nas projeções, especialmente no componente de gastos das famílias.
Nesse cenário, o varejo deixa de atuar como principal motor do crescimento e passa a funcionar como termômetro de transição. A dinâmica das vendas no varejo dos EUA tende a orientar expectativas para o início de 2026, em um ambiente de maior cautela econômica.



