A indústria da construção civil cresceu 1,3% em 2025, mesmo sob taxa Selic elevada e avanço do custo da construção. É o que apontam os dados apresentados nesta quarta-feira (11/02) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O setor avançou em ritmo inferior ao do PIB, que subiu 2,4% até o terceiro trimestre.
O desempenho ocorreu em um ambiente de mercado de trabalho aquecido, com desemprego em 5,1% (o menor nível desde 2012) e 103 milhões de ocupados. Ainda assim, juros altos e restrições no crédito imobiliário limitaram lançamentos e pressionaram a margem das construtoras.
Construção civil cresceu em 2025 apoiada no emprego
A indústria da construção encerrou o ano com 2,9 milhões de trabalhadores formais, alta de 3,08%. Em alguns meses, inclusive, o contingente superou 3 milhões, consolidando o sexto ano seguido de saldo positivo. Além disso, o rendimento médio real no país atingiu R$ 3,6 mil, sustentando demanda por moradia e reformas.
Apesar disso, a geração de vagas desacelerou para 87.878 postos, queda de 19,5% frente a 2024. Segundo Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, nesse o fronte, a construção civil cresceu de forma moderada devido aos juros elevados e ao encarecimento da mão de obra.
Pressão de custos afetam setor
O custo da construção subiu 5,9% em 2025, acima da inflação oficial de 4,26%. A mão de obra liderou a alta, com avanço de 8,98%, enquanto insumos estratégicos ampliaram a pressão sobre contratos e cronogramas.
De acordo com o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), o fio de cobre avançou 19,5% no Sul e o cimento subiu 11,9% no Nordeste. Gabriela Torres, do Sienge, afirmou que houve diferenças regionais relevantes, enquanto a CBIC apontou descolamento entre câmbio e insumos dolarizados.
Crescimento da construção civil em 2025 deve continuar em 2026
No financiamento habitacional, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somou R$ 156 bilhões, queda de 13%, enquanto o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) atingiu R$ 138 bilhões, alta de 8,75%. O setor também registrou avanço de 3,68% no consumo de cimento, que chegou a 66,9 milhões de toneladas, embora o varejo de materiais tenha recuado 0,2%.
Os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280 bilhões, com 84% provenientes do capital privado. Segundo Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente da CBIC, juros e carga tributária seguem como gargalos, mas a entidade projeta crescimento de 2% em 2026 caso a Selic entre em trajetória de queda consistente.
Por fim, osberva-se que construção civil cresceu em 2025 em meio a restrições financeiras e custos elevados, porém mantém base sustentada por emprego e investimento. Portanto, se o crédito reagir e a política monetária aliviar, o setor poderá ampliar sua contribuição seu crescimento econômico também em 2026





