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Mercado imobiliário dos EUA recua ao menor nível em dois anos

O mercado imobiliário dos EUA caiu 8,4% em janeiro e atingiu o menor nível em mais de dois anos, enquanto preços seguem em alta com estoque ainda limitado.
Mercado imobiliário dos EUA em janeiro
Queda nas vendas ocorre mesmo com melhora no índice de acessibilidade. Imagem: Canva

O mercado imobiliário dos EUA registrou em janeiro a menor taxa de vendas em mais de dois anos, ao recuar 8,4% e atingir 3,91 milhões de unidades em termos anualizados, segundo a Associação Nacional de Corretores nesta quinta-feira (12/02). O resultado ficou abaixo das estimativas de 4,18 milhões projetadas por economistas consultados pela Reuters.

Além disso, na comparação anual, as transações caíram 4,4%. O desempenho reflete contratos assinados em novembro e dezembro, período anterior às tempestades de inverno, o que reforça que a retração tem raízes estruturais e não climáticas.

Mercado imobiliário dos EUA e o descompasso da oferta

Embora o índice de acessibilidade à habitação tenha subido para 116,5, maior nível desde março de 2022, o número de negócios encolheu. Em dezembro, o indicador estava em 111,6. A melhora ocorreu porque os salários avançaram acima do ritmo dos preços e as taxas de hipoteca estão menores do que há um ano.

A queda nas vendas é decepcionante para os economistas, a oferta não acompanhou o ritmo da demanda. O estoque de moradias usadas caiu 0,8% no mês, para 1,22 milhão de unidades, mantendo o mercado pressionado.

Setor habitacional e pressão sobre preços

Com oferta limitada, o preço médio das casas subiu 0,9% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 396.800, o maior valor já registrado para janeiro. Mesmo com um aumento de 3,4% no estoque frente a 2025, o volume disponível representa apenas 3,7 meses de oferta no ritmo atual de vendas.

Esse patamar ainda é considerado restrito para padrões históricos. O número de meses para zerar o estoque era de 3,5 no mesmo período do ano anterior, o que indica que o equilíbrio entre oferta e demanda permanece frágil.

Mercado imobiliário dos EUA como termômetro econômico

O comportamento do mercado imobiliário dos EUA costuma antecipar ciclos mais amplos da economia, pois envolve crédito, renda e confiança do consumidor. A combinação de menor volume de transações e preços em alta sugere um ajuste assimétrico.

Portanto, embora a acessibilidade tenha melhorado no papel, o ritmo das negociações mostra cautela por parte dos compradores. Se o estoque continuar restrito, o mercado imobiliário dos EUA pode enfrentar um período prolongado de transações contidas e valores sustentados, com efeitos indiretos sobre consumo, crédito e expectativas econômicas.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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