A Vale teve um prejuízo no quarto trimestre de 2025 de US$ 3,8 bilhões, conforme balanço divulgado na quinta-feira (12), após o fechamento do mercado. O resultado reflete principalmente baixas contábeis relevantes, ampliando a perda frente aos US$ 694 milhões negativos registrados um ano antes.
Contudo, o impacto veio de ajustes extraordinários. A companhia registrou impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals, no Canadá, após revisar premissas de preço de longo prazo. Além disso, reconheceu US$ 2,8 bilhões em imposto diferido e provisões adicionais relacionadas à Samarco.
Prejuízo e o contraste operacional da Vale
Apesar da linha final negativa, o desempenho operacional mostrou tração. A receita líquida da Vale alcançou US$ 11 bilhões, alta anual de 9%, enquanto o Ebitda somou US$ 4,5 bilhões. Na base proforma, o indicador atingiu US$ 4,8 bilhões, com margem Ebitda de 44%.
Os volumes de venda cresceram em todos os principais segmentos. As vendas de minério de ferro avançaram 5%, as de cobre subiram 8% e as de níquel aumentaram 5%. O preço médio do minério ficou em US$ 95,4 por tonelada, enquanto o cobre registrou alta anual de 20%.
Segundo o CEO Gustavo Pimenta, a companhia atingiu ou superou todos os guidances de 2025 e alcançou os maiores níveis de produção desde 2018. Ele também destacou avanços na confiabilidade dos ativos e no ramp-up de projetos como Capanema e Onça Puma.
Resultado ajustado e geração de caixa
No conceito proforma, que exclui efeitos de Brumadinho e itens não recorrentes, o lucro líquido teria sido de US$ 1,4 bilhão. Ainda assim, ficou abaixo da estimativa de US$ 2,457 bilhões apontada por analistas consultados pela LSEG.
A geração de fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre, avanço anual de 107%. Além disso, o capital de giro foi beneficiado pela entrada de caixa das vendas de minério realizadas anteriormente.
Limite para dividendos e o prejuízo financeiro da Vale
A dívida líquida expandida encerrou o período em US$ 15,5 bilhões, queda anual de 5%. A meta da companhia permanece entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Contudo, quanto mais próxima do teto, menor a probabilidade de dividendos extraordinários, segundo a própria política financeira.
Embora a prejuízo no trimestre tenha sido impactada por efeitos contábeis relevantes, os indicadores operacionais e a geração de caixa sustentam a estrutura financeira da Vale. Ainda assim, o nível de endividamento impõe disciplina na alocação de capital, em um cenário global sensível aos preços internacionais de minério e metais básicos.





