A recuperação judicial 123 Milhas segue em curso desde agosto de 2023 e, agora, em fevereiro de 2026, a empresa passou a enviar propostas de acordo a cerca de 800 mil credores. As mensagens, encaminhadas por WhatsApp, apresentam alternativas de pagamento com descontos e prazos que podem chegar a sete anos e meio.
O Grupo 123, que reúne 123 Milhas, HotMilhas, Novum, Maxmilhas e LH Lance Hotéis, declarou R$ 2,4 bilhões em dívidas no processo. A Assembleia Geral de Credores ainda não tem data definida e deve ocorrer no segundo semestre, enquanto a fase de revisão de créditos continua em andamento.
Recuperação judicial 123 Milhas e as condições oferecidas
A empresa estruturou três opções. A primeira prevê o pagamento integral, porém vinculado a cashback para novas compras na própria plataforma, o que converte o crédito em consumo futuro.
A segunda alternativa estabelece deságio de 40%, com quitação em 12 parcelas semestrais. O pagamento começa após 18 meses, o que, portanto, leva o prazo total a sete anos e meio.
Já a terceira opção limita o recebimento a até R$ 450, parcelados em cinco anos, porém, com carência inicial de dois anos e meio.
Negociação direta fora da assembleia
Ao aderir ao acordo, o credor assina termo irretratável e renuncia à participação na Assembleia Geral de Credores, além de abrir mão de ações judiciais relacionadas ao crédito. A iniciativa ocorre paralelamente ao plano de recuperação judicial da 123 Milhas, que será submetido à votação formal.
Julio Moretti, fundador e CEO da Neot Tecnologia, afirma que a empresa tenta reduzir o passivo antes da deliberação coletiva. Segundo ele, a demora processual cria espaço para propostas diretas. “É justamente nessa demora que a empresa se apoia para oferecer o acordo”, diz.
Recuperação judicial 123 Milhas sob análise jurídica
Avaliações jurídicas apontam que os descontos oferecidos são elevados e que a empresa pagará os valores no médio e longo prazo. Além disso, especialistas indicam que a companhia não quitará as dívidas de forma integral.
No entendimento de profissionais da área, a legislação de insolvência empresarial prioriza a continuidade da empresa. Pelas condições apresentadas, o deságio, desconto aplicado ao valor nominal (ou de face) de um ativo, pode superar 70%, a depender do enquadramento do crédito. Nesse contexto, a recuperação judicial 123 Milhas tende a gerar perda relevante aos consumidores, tanto para quem aderir ao acordo antecipado quanto para quem optar por aguardar a homologação do plano.
Com centenas de milhares de credores, o processo pressiona o sistema judiciário em operações de grande escala. A recuperação judicial 123 Milhas, portanto, avançará conforme o nível de adesão às propostas e a definição do calendário da assembleia, que ainda não foi divulgado.
Posicionamento oficial da 123 Milhas
A 123 Milhas entrou em contato com a redação do Economic News Brasil com esclarecimentos sobre a iniciativa, confirmando que ela ocorre dentro do plano de recuperação judicial da 123 Milhas.
Além disso, a empresa lançou a seguinte nota oficial com os Termos de Adesão:
O Grupo 123milhas informa que está enviando aos credores um comunicado sobre o Termo de Adesão, no qual o credor pode registrar antecipadamente seu voto e escolher a forma de recebimento dos valores previstos no plano de recuperação judicial, apresentado no ano passado.
O documento, aprovado pela Justiça, deve ser assinado exclusivamente no site dos Administradores Judiciais (https://rj123milhas.com.br/#/home) e faz parte do processo de recuperação judicial. É importante destacar que o termo não é um acordo extrajudicial, mas parte do processo judicial. A adesão é opcional, realizada com assinatura digital via gov.br, e o voto será contabilizado na Assembleia Geral de Credores, cuja data ainda será definida.
Por fim, a 123 Milhas afirmou compromisso em seguir com os pagamentos, conforme anunciado. Resta ver os próximos passos.



