As ações na América Latina avançam no ritmo mais forte em uma década, segundo levantamento publicado pela Bloomberg, que aponta alta superior a 20% do índice MSCI EM Latin America em 2026, no melhor início de ano desde 1991. Na sexta-feira (20), o indicador atingiu máxima de onze anos, refletindo uma onda de compras estrangeiras concentrada em Brasil, México e Colômbia.
Além disso, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas globais impostas pelo governo Donald Trump aumentou novo impulso ao rali. Investidores avaliam que o enfraquecimento do dólar e a maior pressão fiscal nos EUA reforçam a atratividade relativa de mercados emergentes.
O que impulsiona as ações na América Latina
O fluxo aparece com clareza nos ETFs listados nos EUA. O iShares Latin America 40 (ILF) recebeu mais de US$ 1 bilhão apenas em janeiro, elevando seu patrimônio para cerca de US$ 4,3 bilhões. Já o iShares MSCI Brazil (EWZ) registrou o maior fluxo mensal em mais de dez anos e acumulou valorização de 17% no mês.
Parte desse capital já começa a migrar dos fundos negociados em bolsa para compras diretas em ações locais. Dados de reguladores mostram que janeiro registrou o maior volume de entradas estrangeiras em pelo menos quatro anos nos três principais mercados da região.
Bolsas latino-americanas e o fator político
O calendário eleitoral aumenta uma camada estratégica à alocação. No Brasil, investidores observam as eleições presidenciais de outubro e avaliam possíveis mudanças na política econômica. O prazo de abril, quando ocupantes de cargos precisam renunciar para concorrer, é visto como ponto de definição.
Na Colômbia, a disputa presidencial de maio também influencia preços. Já o México enfrenta incertezas ligadas à revisão do acordo comercial com Estados Unidos e Canadá. Conforme relatado pela Bloomberg, esses fatores compõem o pano de fundo para a reprecificação dos ativos regionais.
Juros e ações na América Latina no radar global
A política monetária surge como outro vetor relevante. Operadores projetam cortes na taxa Selic, atualmente em 15%, a partir de março. No México, o Banxico manteve os juros em 7% em 5 de fevereiro, interrompendo um ciclo de redução iniciado há quase dois anos.
Gestores internacionais citados pela Bloomberg defendem que cortes de juros, aliados a um cenário favorável para commodities, podem sustentar o avanço das ações na América Latina. Ainda assim, investidores locais demonstram maior cautela diante do risco político.
No cenário global, a combinação de fluxo estrangeiro, dólar mais fraco e expectativa de flexibilização monetária redefine o papel das ações na América Latina na carteira internacional. A questão agora é se o ritmo atual de entradas se mantém diante do teste eleitoral e das decisões dos bancos centrais.





