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Tarifas dos EUA não reduzem competitividade do Brasil, diz Alckmin

A tarifa de 15% dos Estados Unidos entra em vigor após decisão da Suprema Corte. Governo afirma que não há perda de competitividade e aposta em negociação e diversificação comercial.
Imagem de Geraldo Alckmin para ilustrar uma matéria jornalística sobre as Tarifas dos EUA.
Geraldo Alckmin, presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços do Brasil (Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A tarifa de 15% dos Estados Unidos (EUA) não provoca perda de competitividade para empresas brasileiras, afirmou neste domingo (22) o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Ele declarou que, devido à aplicação uniforme da taxa em todos os países, o Brasil não tem uma desvantagem em relação às exportações ao mercado norte-americano.

No sábado (21/02), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o aumento após a Suprema Corte derrubar o tarifaço anterior. A nova taxa substitui a alíquota global de 10% e passa a valer com base, segundo Trump, em instrumentos jurídicos considerados válidos pela Casa Branca.

Tarifa dos EUA e a avaliação do governo

De acordo com Alckmin, “mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade”. Ele destacou ainda que, em alguns segmentos, a taxação foi zerada, citando combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves.

Na prática, o governo avalia que a política comercial americana, ao adotar uma tarifa uniforme, preserva a posição relativa do Brasil na balança bilateral. Além disso, Alckmin afirmou que há espaço para negociação durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, prevista para março, inclusive sobre barreiras não tarifárias.

Exportações brasileiras sob nova alíquota

Apesar da leitura otimista do Executivo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a decisão da Suprema Corte dos EUA atinge o equivalente a US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras ao país. O cálculo utiliza dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC).

O montante evidencia a relevância do mercado americano para a indústria brasileira, sobretudo em setores de bens manufaturados, agronegócio e produtos de maior valor agregado. Ainda assim, o governo sustenta que a nova tarifa, por não discriminar países, não altera o grau de concorrência internacional.

Tarifa de 15% dos EUA e agenda comercial ampliada

No mesmo evento, em Aparecida do Norte (SP), Geraldo Alckmin também declarou estar otimista quanto à aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo Congresso Nacional em março. Segundo ele, o tratado prevê mecanismos de salvaguarda para setores sensíveis.

Ao citar a preocupação de segmentos como o de vinho, o ministro afirmou que o acordo prevê mecanismos de proteção. Ele explicou que, em caso de aumento abrupto das importações, o Brasil poderá suspender compras externas. Nesse cenário, a tarifa de 15% aplicada pelos Estados Unidos se insere em uma estratégia mais ampla de diversificação de mercados. A agenda combina diplomacia econômica, instrumentos de defesa comercial e negociação em um ambiente global mais pressionado.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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