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Aumento do Imposto de Importação atinge mais de 1.252 produtos

O aumento do Imposto de Importação atinge 1.252 produtos e busca conter pressão nas contas externas. Governo promete neutralidade ao consumidor, mas importadores alertam para risco de alta de custos e impacto na modernização produtiva.
Aumento do Imposto de Importação na indústria de eletrônicos
Alta das tarifas mira bens com produção nacional e busca reforçar a indústria. Imagem: Canva

O aumento do Imposto de Importação atinge 1.252 produtos e altera a lógica de custo de setores como eletrônicos, telecomunicações e máquinas industriais. A decisão, aprovada na Câmara de Comércio Exterior, surge após a redução do superávit comercial e avanço do déficit em transações correntes, pressionando as contas externas.

Além de celulares, televisores e computadores, a medida alcança CPUs e equipamentos usados em data centers. O governo sustenta que não haverá repasse relevante ao consumidor, pois a elevação incide apenas sobre bens com produção nacional. Ainda assim, o embate com importadores revela uma divergência sobre o efeito real na cadeia produtiva, e é aí que o debate se intensifica.

Aumento do Imposto de Importação como ajuste externo

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) associa o aumento das tarifas de importação à deterioração do saldo externo. Houve crescimento de importações acima de 30% mesmo em segmentos com produção doméstica, o que, na avaliação do governo, gerou desequilíbrio externo.

O superávit comercial recuou no último ano, enquanto o déficit em conta corrente se aproximou de 3% do PIB. Nesse contexto, a política tarifária assume função de correção competitiva. Contudo, a investigação esbarra em um ponto sensível: proteger a indústria sem comprometer a modernização tecnológica.

Cadeia produtiva e tecnologia sob pressão

Importadores alertam para possível alta de custos e impacto sobre investimentos produtivos, sobretudo em setores intensivos em tecnologia. Empresas que dependem de componentes eletrônicos, insumos importados e máquinas específicas podem enfrentar encarecimento ao longo da cadeia.

Por outro lado, o governo mantém regimes como o ex-tarifário para peças e componentes sem fabricação nacional. Além disso, abriu janela até 30 de março para pedidos emergenciais quando a alíquota subiu de zero para 7%. Para além do efeito imediato, o desenho da medida revela uma disputa sobre o modelo de inserção do Brasil nas cadeias globais.

Data centers e previsibilidade regulatória

No caso de infraestrutura digital, o programa Redata prevê mais de R$ 7 bilhões em incentivos fiscais. Uma lista específica poderá ser importada com tarifa zero por cinco anos, garantindo previsibilidade a projetos de infraestrutura tecnológica e expansão de centros de processamento de dados.

Esse recorte indica que o governo tenta equilibrar proteção industrial com estímulo a investimentos estratégicos, especialmente em áreas ligadas à economia digital e à transformação tecnológica.

No médio prazo, o aumento do Imposto de Importação reposiciona o debate sobre política industrial e abertura comercial. Se a estratégia fortalecer a indústria nacional e reduzir a vulnerabilidade externa, o ajuste poderá consolidar uma guinada estrutural. Caso contrário, o país corre o risco de encarecer sua própria modernização produtiva em um ambiente global cada vez mais competitivo.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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