O número de milionários alcançou o recorde de 25,3 milhões de pessoas no mundo em 2025, segundo o estudo World Wealth Report, da consultoria francesa Capgemini. O crescimento foi impulsionado pela valorização dos mercados financeiros, especialmente de empresas ligadas à inteligência artificial, e pela desaceleração da inflação em diversas economias.
Ao mesmo tempo em que surgiram quase 2 milhões de novos milionários, a riqueza permaneceu concentrada entre um grupo reduzido de investidores. O patrimônio acumulado pelos ricos chegou a US$ 98,3 trilhões, reforçando uma tendência que vem marcando os ciclos recentes de valorização financeira.
A combinação entre tecnologia, liquidez global e recuperação dos mercados criou um dos ambientes mais favoráveis para geração de riqueza desde o período pós-pandemia. Os ganhos, porém, não foram distribuídos de forma homogênea.
Inteligência artificial impulsiona riqueza, mas favorece quem já tinha patrimônio
A valorização dos mercados acionários foi o principal motor do crescimento do número de milionários no mundo em cinco das seis regiões analisadas pela Capgemini. Grande parte desse movimento esteve ligada ao avanço da inteligência artificial, que impulsionou empresas e empreendedores de semicondutores, infraestrutura digital, computação em nuvem e desenvolvimento de IA.
Os ganhos, porém, não ficaram distribuídos de forma uniforme. Quem já possuía participação relevante em ações, fundos e ativos tecnológicos capturou os maiores retornos da nova onda de valorização.
Portanto, enquanto o número de milionários cresceu 7,9%, a riqueza acumulada por esse grupo avançou 8,7%, alcançando US$ 98,3 trilhões. Já entre os super-ricos, com patrimônio superior a US$ 30 milhões, o crescimento chegou a 9,4%.
O resultado indica que a riqueza gerada pela inteligência artificial não criou apenas novos milionários. Ela também ampliou o patrimônio de investidores que já ocupavam as posições mais altas da pirâmide global de riqueza.
Crescimento o número de milionários não reduz a concentração de riqueza no mundo
O avanço do número de milionários no mundo poderia sugerir uma distribuição mais ampla da riqueza global. Os números do relatório, porém, apontam para a direção oposta. Segundo a Capgemini, apenas 1% dos indivíduos ricos concentram 34,8% de toda a riqueza desse grupo.
O contingente de pessoas com patrimônio superior a US$ 30 milhões alcançou cerca de 250 mil indivíduos em todo o mundo após crescer 9,4% em apenas um ano.
O ritmo supera o observado entre os milionários tradicionais e indica que os maiores ganhos ficaram concentrados justamente entre aqueles que já possuíam capacidade para investir em ativos de maior retorno.
O fenômeno também reflete uma característica recorrente dos ciclos tecnológicos. Inovações costumam gerar riqueza em larga escala, mas os primeiros benefícios financeiros tendem a alcançar acionistas, investidores institucionais e proprietários dos ativos que lideram a transformação.
O resultado é uma expansão simultânea da riqueza global e da concentração patrimonial.
Ásia e Estados Unidos lideram a nova geração de milionários
A distribuição geográfica da riqueza também revela onde os investimentos ligados à tecnologia estão aumentando o número de milionários no mundo
A região Ásia-Pacífico registrou o maior crescimento entre todas as áreas analisadas, com avanço de 9,4% no número de milionários. O desempenho foi impulsionado principalmente pela expansão da indústria de semicondutores, setor considerado estratégico para o desenvolvimento da inteligência artificial.
China e Japão lideraram esse movimento. Na América do Norte, no entanto, o crescimento atingiu 9,1%, sustentado principalmente pelos Estados Unidos. O país adicionou mais de 736 mil novos milionários em apenas um ano e alcançou um total de 8,7 milhões de pessoas nessa faixa patrimonial.
Outras regiões apresentaram crescimento mais moderado:
- Europa: +6,5%;
- África: +4,1%;
- América Latina: +0,3%.
O Oriente Médio foi a única região com retração, registrando queda de 1,4%, reflexo do enfraquecimento dos preços do petróleo observado anteriormente.
O avanço do número de milionários no mundo mostra que a inteligência artificial já exerce impacto direto sobre a geração de riqueza global. O relatório da Capgemini indica, porém, que a nova onda tecnológica não está apenas criando novos milionários; ela também está acelerando a concentração de patrimônio entre os investidores que já ocupavam as posições mais privilegiadas do sistema financeiro global.





