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Quem criou o Pix? A história real do sistema volta ao debate após críticas dos EUA

O Pix foi criado pelo Banco Central e começou a ser desenvolvido antes do governo Bolsonaro. Entenda a linha do tempo completa e por que a autoria do sistema voltou ao debate após críticas dos EUA.
Imagem de uma tela de um celular no PIX para ilustrar uma matéria jornalística sobre Quem criou o PIX.
História do Pix mostra papel do Banco Central do Brasil na criação(Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil)

Quem criou o Pix? O sistema foi criado pelo Banco Central do Brasil (BC) e desenvolvido por uma equipe técnica que começou a estruturar o projeto anos antes de seu lançamento oficial, em novembro de 2020. Embora tenha entrado em operação durante o governo Jair Bolsonaro, o desenvolvimento do Pix atravessou diferentes administrações até se transformar no principal meio de pagamento do país.

A discussão sobre quem criou o Pix voltou ao centro do debate após o governo dos Estados Unidos afirmar que o sistema favorece empresas brasileiras em detrimento de concorrentes americanos. A controvérsia também reacendeu disputas políticas sobre a autoria de uma tecnologia que hoje movimenta trilhões de reais e é usada por milhões de brasileiros.

Mais do que uma disputa entre governos, a história do Pix revela como uma iniciativa técnica do Banco Central se transformou em uma das maiores inovações financeiras da história do Brasil.

Quem criou o Pix e quando o projeto começou

A resposta para a pergunta sobre quem criou o Pix começa dentro do Banco Central.

Segundo documentos oficiais da instituição, as primeiras discussões sobre pagamentos instantâneos surgiram em 2014, quando técnicos passaram a estudar formas de modernizar o sistema financeiro brasileiro.

Na época, o objetivo era criar uma alternativa que permitisse:

  • Transferências em segundos
  • Funcionamento 24 horas por dia
  • Operação todos os dias do ano
  • Menor custo para usuários
  • Maior inclusão financeira

O projeto ainda não se chamava Pix, mas os conceitos que deram origem ao sistema já estavam sendo avaliados.

O principal responsável pela coordenação técnica da iniciativa foi o Banco Central, que liderou os estudos e definiu as bases da futura plataforma.

Como o Pix foi desenvolvido durante o governo Temer

A etapa decisiva ocorreu em maio de 2018, durante o governo Michel Temer.

Naquele ano, o Banco Central criou oficialmente o Grupo de Trabalho para Pagamentos Instantâneos (GT-PI), considerado a primeira fase formal de desenvolvimento do sistema.

A Portaria nº 97.909 estabeleceu as diretrizes para a construção de uma infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos.

O projeto já previa características que mais tarde se tornariam marcas registradas do Pix:

  • Liquidação imediata das transações
  • Infraestrutura operada pelo Banco Central
  • Disponibilidade permanente
  • Participação aberta ao mercado financeiro

Mais de 130 representantes de bancos, fintechs e empresas de tecnologia contribuíram para a construção das regras e da arquitetura do sistema.

Em dezembro de 2018, ainda no governo Temer, o Banco Central publicou um comunicado consolidando os requisitos fundamentais que orientariam a implementação do Pix.

Qual foi o papel de Bolsonaro no lançamento do Pix

Embora o desenvolvimento tenha começado antes, o Pix foi lançado durante o governo Jair Bolsonaro.

A partir de 2019, o Banco Central iniciou a construção da infraestrutura tecnológica que permitiria a operação do sistema em escala nacional.

Em fevereiro de 2020, foi apresentada oficialmente a marca Pix.

O nome foi inspirado em conceitos ligados a tecnologia, transações digitais e comunicação instantânea.

Nos meses seguintes ocorreram etapas fundamentais:

  • Desenvolvimento da plataforma
  • Integração com instituições financeiras
  • Testes operacionais
  • Cadastro das primeiras chaves
  • Liberação gradual do sistema

O Pix entrou em operação restrita em 3 de novembro de 2020 e passou a funcionar plenamente em 16 de novembro de 2020.

Um episódio pouco lembrado ocorreu semanas antes do lançamento. Em outubro daquele ano, Bolsonaro afirmou publicamente que ainda não conhecia detalhes do novo meio de pagamento e disse que conversaria com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O episódio reforça que o projeto foi conduzido principalmente pela estrutura técnica da autoridade monetária.

Linha do tempo mostra como o Pix atravessou três governos

A cronologia ajuda a entender por que a autoria do Pix se tornou alvo de interpretações políticas.

2014

Primeiras discussões sobre pagamentos instantâneos aparecem em estudos do Banco Central durante o governo Dilma Rousseff.

2018

Criação do Grupo de Trabalho para Pagamentos Instantâneos durante o governo Michel Temer.

2019

Início do desenvolvimento da infraestrutura tecnológica já no governo Bolsonaro.

Fevereiro de 2020

Lançamento oficial da marca Pix.

Novembro de 2020

Início das operações do sistema em todo o país.

A sequência mostra que o Pix não foi criado por um único presidente nem por uma única gestão.

Por que a discussão sobre quem criou o Pix voltou em 2026

O debate reapareceu após o governo dos Estados Unidos concluir uma investigação comercial contra o Brasil.

No relatório, autoridades americanas afirmam que o Banco Central favorece o Pix e prejudica empresas americanas que oferecem serviços concorrentes de pagamento eletrônico.

Entre as críticas estão:

  • Obrigatoriedade de participação para grandes instituições financeiras
  • Destaque do Pix nos aplicativos bancários
  • Gratuidade para pessoas físicas
  • Atuação simultânea do Banco Central como regulador e operador

As acusações levaram políticos brasileiros a defender publicamente o sistema e reacenderam a disputa sobre sua autoria.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o Pix é do Brasil”. Já aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro defenderam que o sistema representa um legado de sua gestão.

Como o Pix se tornou uma referência mundial

O sucesso do Pix ajuda a explicar por que o sistema passou a receber atenção internacional.

Hoje, mais de 170 milhões de brasileiros já utilizaram a ferramenta. O sistema alcança aproximadamente 80% da população e movimenta trilhões de reais todos os meses.

Os números mais recentes mostram:

  • Mais de R$ 3 trilhões movimentados
  • Mais de 7 bilhões de transações mensais
  • Recorde de 313 milhões de operações em um único dia

Além do crescimento doméstico, o modelo brasileiro passou a ser estudado por diversos países.

Economistas e especialistas internacionais destacam que o Pix conseguiu combinar velocidade, baixo custo e inclusão financeira em uma escala raramente vista em outros mercados.

Por isso, a resposta para quem criou o Pix vai além da disputa política. O sistema nasceu dentro do Banco Central do Brasil, começou a ser estruturado durante o governo Michel Temer, teve suas bases discutidas ainda no governo Dilma Rousseff e foi lançado durante o governo Jair Bolsonaro. Essa construção institucional explica por que o Pix se tornou uma das maiores referências globais em pagamentos digitais.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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