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Netflix desiste da Warner e vira o tabuleiro de Hollywood

Netflix desiste da Warner após rival elevar oferta para US$ 110 bilhões. Decisão muda disputa em Hollywood e redefine forças no mercado global de streaming.
Imagem de uma tela na Netflix para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Netflix desiste da Warner
(Imagem: Pixabay)

Netflix desiste da Warner Bros nesta quinta-feira (26) e confirma que não elevará sua proposta após a nova investida da Paramount Skydance, avaliada em cerca de US$ 110 bilhões, incluindo dívida. A decisão encerra, ao menos por ora, a tentativa da plataforma de assumir os ativos de estúdio e streaming da Warner Bros. Discovery (WBD).

A empresa liderada por Ted Sarandos e Greg Peters afirmou, em comunicado, que a operação deixaria de ser financeiramente atraente ao exigir equiparação ao valor de US$ 31 por ação oferecido pela rival. Segundo os executivos, a Netflix manteve disciplina de capital e optou por não igualar a proposta.

Netflix desiste da Warner e altera cenário estratégico

A oferta da Paramount Skydance representa aproximadamente US$ 110 bilhões, considerando a dívida da WBD. Além disso, a empresa elevou a multa por eventual reprovação regulatória de US$ 5,8 bilhões para US$ 7 bilhões, reforçando o compromisso com o fechamento da transação.

A última proposta da Netflix somava US$ 83 bilhões e excluía canais como CNN e Discovery. Em dezembro de 2025, a plataforma havia indicado US$ 27,75 por ação. O desenho previa separar os canais lineares em uma nova companhia, chamada Discovery Global, cujo valor estimado pela Warner variava entre US$ 1,33 e US$ 6,86 por ação.

Recuo da gigante do streaming expõe divergências de valuation

A divergência sobre o valor dos ativos lineares tornou-se um ponto sensível. Enquanto a Warner projetava potencial econômico para a Discovery Global, a Paramount sustentava que esses ativos teriam valor quase nulo. Esse embate influenciou a precificação final.

Analistas de mercado avaliam que uma oferta próxima de US$ 34 por ação poderia encerrar a disputa. No entanto, essa leitura é atribuída a especialistas que acompanham o setor e não representa posicionamento oficial das empresas.

No fim de dezembro, a Netflix possuía cerca de US$ 9 bilhões em caixa, o que lhe daria espaço financeiro para avançar. Ainda assim, a administração preferiu preservar sua estrutura de capital diante de um cenário regulatório complexo e de incertezas sobre aprovação antitruste, dívida consolidada e sinergias operacionais.

Netflix desiste da Warner e redefine o tabuleiro de mídia

Com a decisão, a Paramount Skydance assume vantagem na negociação, sujeita à aprovação do conselho da WBD e de órgãos reguladores dos Estados Unidos. A empresa também sinalizou maior probabilidade de aval regulatório, segundo sua própria avaliação.

Investidores, como a Ancora Holdings, afirmaram que a Warner deveria ter negociado de forma mais ampla com a Paramount. Já a companhia declarou que seu conselho atua no melhor interesse dos acionistas.

Ao optar por não elevar o lance, a Netflix desiste da Warner e evita ampliar exposição a um negócio de alto endividamento, mas também abre mão de franquias estratégicas como Game of Thrones, DC Comics e uma ampla biblioteca de conteúdo

Por fim, a decisão redesenha o equilíbrio entre plataformas de streaming, estúdios tradicionais e conglomerados de mídia. O setor vive um momento em que escala, catálogo e integração vertical passam a definir o futuro da indústria.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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