O prejuízo da Stellantis alcançou 25,4 bilhões de euros em 2025, segundo balanço divulgado pela montadora, dona de marcas como Fiat, Jeep e Peugeot. O resultado concentrou-se no segundo semestre e reflete revisões profundas nas apostas da empresa para o mercado de veículos elétricos.
Embora o número já tivesse sido antecipado em estimativas preliminares, a magnitude das perdas revelou o tamanho do ajuste estratégico. A Stellantis registrou 25,4 bilhões de euros em baixas contábeis, sendo 22,2 bilhões apenas entre julho e dezembro.
Prejuízo da Stellantis e revisão da rota elétrica
O centro do problema foi a reavaliação das projeções para carros elétricos, cujo crescimento ficou abaixo do esperado. Além disso, Estados Unidos e Europa reduziram metas ambientais, alterando o ritmo da chamada transição energética no setor automotivo.
Antonio Filosa, CEO da companhia, afirmou que os resultados refletem o custo de superestimar essa mudança tecnológica. Segundo ele, a empresa agora busca garantir liberdade de escolha entre tecnologias híbridas, elétricas e modelos a combustão, ajustando o portfólio global.
Mesmo com o impacto contábil, a receita entre julho e dezembro cresceu 10%, somando 79,25 bilhões de euros. As entregas de veículos avançaram 11%, indicando demanda ativa, ainda que sob pressão de margens.
Montadora enfrenta ajuste estratégico global
No segundo semestre, o prejuízo operacional ajustado foi de 1,38 bilhão de euros. Esse indicador, que exclui eventos extraordinários, reforça que o desempenho operacional também foi afetado pelo redesenho da estratégia industrial.
No mercado financeiro, as ações da Stellantis acumulam queda de cerca de 20% desde o anúncio das perdas relacionadas aos elétricos. No ano, o recuo chega a 30%, com o papel atingindo mínima em 6 de fevereiro.
Analistas do Citi classificaram o momento como um “ponto baixo evidente”, embora avaliem que pode haver recuperação. Eles ponderam, contudo, que outras montadoras europeias e americanas apresentam menor exposição a riscos neste ciclo.
Prejuízo da Stellantis e o horizonte financeiro
Para 2026, a empresa projeta crescimento moderado da receita e margem operacional baixa, mas positiva. O foco, segundo o CEO, será corrigir falhas de execução e retomar o crescimento com lucro.
Ainda assim, o fluxo de caixa livre só deve voltar ao terreno positivo em 2027, o que impõe disciplina financeira nos próximos dois anos. Nesse cenário, o prejuízo da Stellantis não é apenas um resultado contábil expressivo, mas um sinal de como a indústria automotiva global recalibra expectativas diante de um mercado elétrico menos acelerado do que se previa.





