O prejuízo do The Washington Post, o jornal diário mais antigo em circulação em Washington D.C., superou US$ 100 milhões em 2025, segundo revelou o The Wall Street Journal na quinta-feira (26/02). O dado foi apresentado pela direção do jornal em reunião interna com funcionários.
De acordo com o WSJ, executivos informaram que as despesas superam as receitas desde 2022. O jornal teria registrado déficit de US$ 77 milhões em 2023 e de US$ 100 milhões em 2024, ampliando a pressão financeira ao longo da atual gestão.
Prejuízo do Washington Post e a governança sob Bezos
Jeff Bezos, fundador da Amazon, adquiriu o Washington Post em 2013 com a proposta de modernizar a operação e ampliar a presença digital. Por conta disso, nos anos seguintes, a companhia expandiu a redação, investiu em tecnologia editorial e buscou escala em assinaturas digitais.
Porém, segundo relato publicado pelo WSJ, o CEO interino Jeff D’Onofrio afirmou que a estratégia de expansão e contratações elevou a estrutura de custos sem aumento de produção. Entre 2020 e 2025, o número de reportagens caiu 42%, enquanto as despesas com a redação cresceram 16%. Pressionando, assim, a margem operacional e levando ao atual prejuízo do Washington Post
Reestruturação e mudança de foco editorial
O cenário levou a uma reorganização interna. No início do mês, cerca de 300 profissionais foram desligados, seguindo, inclusive, onda de demissões em massa nos EUA. Além disso, o jornal encerrou a editoria de esportes e reduziu a cobertura local e internacional, como parte de um ajuste na operação.
Durante reunião com a equipe, o editor-executivo Matt Murray declarou que o veículo não pretende mais atuar como “jornal de registro”. Segundo ele, a prioridade será redefinir a estratégia dentro do atual modelo de negócios da mídia, marcado por disputa por engajamento online e queda de receita publicitária.
Novo plano para enfrentar o prejuízo do Washington Post
A direção informou que trabalha em um novo plano estratégico, ainda sem detalhamento público. A meta, conforme relato do WSJ, é alinhar produção editorial, controle de despesas e fortalecimento da receita recorrente.
Mais do que um resultado negativo isolado, o prejuízo do Washington Post revela um quadro que sugere a transição de um ciclo de expansão para uma fase de disciplina financeira sob Bezos, tal como anda sendo feita pela própria Amazon. O desafio agora será equilibrar reputação editorial e sustentabilidade econômica em um mercado cada vez mais fragmentado.





