Anúncio SST SESI

Fusão da Paramount consolida império, mas dívida de S$ 79 bilhões chama atenção

A fusão da Paramount com a Warner Bros cria empresa com US$ 79 bilhões em dívida, une streaming, enfrenta rebaixamento da Fitch e inaugura nova disputa global no setor de mídia.
Imagem da fachada da Paramount Studios para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Fusão da Paramount
(Imagem: Michael Mayer/Pixabay)

A fusão da Paramount com a Warner Bros, anunciada nesta segunda-feira (02) cria uma companhia com cerca de US$ 79 bilhões em dívida e consolida uma das maiores operações da história recente da indústria de mídia. O acordo de US$ 110 bilhões para aquisição da Warner redesenha o equilíbrio financeiro do setor e já provoca reação no mercado de crédito.

Além da dimensão estratégica, a operação levou a agência Fitch a rebaixar o rating da Paramount de BBB- para BB+, colocando a classificação sob observação negativa. A agência citou “alavancagem materialmente elevada” e incerteza sobre a política financeira pós-transação.

Fusão da Paramount e a nova estrutura financeira

A nova companhia nasce com compromissos de dívida de US$ 54 bilhões, sendo US$ 39 bilhões em novas emissões e US$ 15 bilhões destinados ao refinanciamento de linha-ponte da Warner. Antes da operação, a Warner Bros Discovery acumulava US$ 29 bilhões em dívida líquida, enquanto a Paramount reportava US$ 10,36 bilhões.

Segundo a Fitch, a alavancagem pro forma pode atingir 6 vezes o Ebitda, excluindo sinergias. A agência avalia que a desalavancagem dependerá de crescimento sustentado do Ebitda, captura de sinergias e melhora do fluxo de caixa livre (FCF). É um cenário desafiador diante da integração operacional.

A Paramount também pagou multa de US$ 2,8 bilhões à Netflix para encerrar o acordo anterior, eliminando uma das variáveis que pesavam sobre a transação.

Plataforma unificada e escala global

Como parte da estratégia, a empresa combinará Paramount+ e HBO Max em uma única plataforma de streaming. De acordo com o CEO David Ellison, o grupo atenderá mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor em mais de 100 regiões. A empresa pretende ultrapassar o número de assinantes da Netflix.

A companhia projeta economia superior a US$ 6 bilhões em custos. Andy Gordon, chefe de estratégia, afirmou que grande parte virá de integração tecnológica, consolidação de infraestrutura de nuvem, unificação de plataformas digitais e ganhos de eficiência não ligados à mão de obra.

O novo conglomerado reunirá franquias como Game of Thrones, Harry Potter, Universo DC, Top Gun e Missão Impossível. Além disso, quer manter produção mínima estimada de 30 filmes por ano.

Pressão competitiva e risco de crédito na fusão da Paramount com a Warner

A disputa que envolveu Netflix e Paramount elevou o preço final para US$ 31 por ação, acima dos US$ 27,75 ofertados pela rival. O conselho da Warner considerou a proposta superior também por eliminar incertezas relacionadas à cisão das redes de TV a cabo. Embora a expectativa seja de aprovação antitruste relativamente tranquila na União Europeia. Analistas observam que o ambiente regulatório e a integração de ativos lineares e digitais exigirão disciplina financeira.

No entanto, a fusão da Paramount com a Warner agora enfrenta seu maior teste fora de Hollywood. A empresa precisará provar ao mercado que consegue transformar escala, catálogo de propriedade intelectual, receita recorrente de assinaturas e eficiência operacional em redução consistente do endividamento. A capacidade de executar essa equação definirá o valor real da fusão das empresas nos próximos anos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp