Anúncio SST SESI

Manufatura nos EUA acelera, mas custo salta ao maior nível desde 2022

Manufatura nos EUA mantém expansão, mas índice de preços pagos do ISM salta ao maior nível desde 2022. Tarifa e energia pressionam custos e podem influenciar decisões do Federal Reserve.
Manufatura nos EUA em linha de produção industrial
Fábrica nos Estados Unidos: atividade cresce, mas custo de insumos atinge maior nível desde 2022. Imagem: Canva

A manufatura nos EUA manteve expansão em fevereiro, porém o salto no custo de insumos colocou a inflação industrial novamente sob alerta. O índice de preços pagos do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) avançou ao maior patamar desde outubro de 2022, enquanto o PMI permaneceu acima da linha de 50 pontos.

O PMI manufatureiro marcou 52,4, praticamente estável frente a janeiro e acima das estimativas de mercado. Ainda assim, o dado mais sensível veio do subíndice de custos, que disparou para 70,5. A combinação entre tarifas de importação, compras antecipadas e energia mais cara começa a pressionar as margens. A leitura positiva da atividade, contudo, esbarra em um detalhe técnico relevante.

Manufatura nos EUA: expansão com freio nos empregos

Apesar da recuperação após dez meses de contração, o índice de emprego industrial permaneceu abaixo de 50, indicando ajuste no quadro das fábricas. Segundo o ISM, empresas optaram por demissões e congelamento de vagas para administrar custos.

Além disso, o subíndice de novos pedidos recuou, embora ainda em território de crescimento. Os pedidos em atraso aumentaram e as exportações industriais ficaram estáveis. O dado sugere demanda ativa, mas com gargalos operacionais. Para além do volume produzido, o encarecimento da cadeia produtiva ganha peso.

Custos industriais sob dupla pressão: tarifas e energia

A alta do indicador de preços pagos ISM reflete entregas mais lentas de fornecedores e antecipação de compras diante das medidas comerciais. A Suprema Corte derrubou tarifas anteriores, mas o governo instituiu taxa global temporária de 10%, com anúncio de elevação para 15%.

Paralelamente, a tensão no Oriente Médio elevou o petróleo e interrompeu fluxos no Estreito de Ormuz. O encarecimento de matérias-primas, fretes internacionais e insumos energéticos amplia o risco de repasse ao consumidor. A indústria, que responde por 10,1% do PIB americano, volta ao centro da equação inflacionária.

O que a manufatura nos EUA sinaliza ao Federal Reserve

A manufatura nos EUA indica uma economia que cresce, mas com pressão acumulada na base de custos. O avanço do índice de preços ao produtor, aliado à escalada de commodities energéticas, pode limitar o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve.

Se o repasse atingir o consumidor, a inflação tende a ganhar tração em meio a um ambiente de comércio mais restritivo. O setor industrial mostra vigor produtivo, porém a trajetória de custos sugere que o equilíbrio entre crescimento e estabilidade de preços será o verdadeiro teste nos próximos meses.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp