A manufatura nos EUA manteve expansão em fevereiro, porém o salto no custo de insumos colocou a inflação industrial novamente sob alerta. O índice de preços pagos do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) avançou ao maior patamar desde outubro de 2022, enquanto o PMI permaneceu acima da linha de 50 pontos.
O PMI manufatureiro marcou 52,4, praticamente estável frente a janeiro e acima das estimativas de mercado. Ainda assim, o dado mais sensível veio do subíndice de custos, que disparou para 70,5. A combinação entre tarifas de importação, compras antecipadas e energia mais cara começa a pressionar as margens. A leitura positiva da atividade, contudo, esbarra em um detalhe técnico relevante.
Manufatura nos EUA: expansão com freio nos empregos
Apesar da recuperação após dez meses de contração, o índice de emprego industrial permaneceu abaixo de 50, indicando ajuste no quadro das fábricas. Segundo o ISM, empresas optaram por demissões e congelamento de vagas para administrar custos.
Além disso, o subíndice de novos pedidos recuou, embora ainda em território de crescimento. Os pedidos em atraso aumentaram e as exportações industriais ficaram estáveis. O dado sugere demanda ativa, mas com gargalos operacionais. Para além do volume produzido, o encarecimento da cadeia produtiva ganha peso.
Custos industriais sob dupla pressão: tarifas e energia
A alta do indicador de preços pagos ISM reflete entregas mais lentas de fornecedores e antecipação de compras diante das medidas comerciais. A Suprema Corte derrubou tarifas anteriores, mas o governo instituiu taxa global temporária de 10%, com anúncio de elevação para 15%.
Paralelamente, a tensão no Oriente Médio elevou o petróleo e interrompeu fluxos no Estreito de Ormuz. O encarecimento de matérias-primas, fretes internacionais e insumos energéticos amplia o risco de repasse ao consumidor. A indústria, que responde por 10,1% do PIB americano, volta ao centro da equação inflacionária.
O que a manufatura nos EUA sinaliza ao Federal Reserve
A manufatura nos EUA indica uma economia que cresce, mas com pressão acumulada na base de custos. O avanço do índice de preços ao produtor, aliado à escalada de commodities energéticas, pode limitar o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve.
Se o repasse atingir o consumidor, a inflação tende a ganhar tração em meio a um ambiente de comércio mais restritivo. O setor industrial mostra vigor produtivo, porém a trajetória de custos sugere que o equilíbrio entre crescimento e estabilidade de preços será o verdadeiro teste nos próximos meses.




