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Indústria dos EUA mantém expansão em fevereiro, mas tem salto nos preços

Indústria dos EUA cresce pelo segundo mês, mas salto nos custos e atrasos logísticos elevam risco inflacionário sob tarifas e petróleo em alta, colocando pressão adicional sobre o Federal Reserve.
Indústria dos EUA em fábrica com máquinas e operários
Expansão da Indústria dos EUA ocorre em meio à alta dos custos de insumos e energia. Imagem: Canva

A Indústria dos EUA voltou a crescer em fevereiro, mas o avanço veio acompanhado de um salto nos custos que altera o equilíbrio do setor. O PMI do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) permaneceu acima de 50 pelo segundo mês seguido, sinalizando expansão da atividade industrial, enquanto o subíndice de preços pagos atingiu o maior patamar desde 2022.

O dado surpreendeu parte do mercado, que projetava desaceleração maior. Ainda assim, a leitura esconde um contraste: os novos pedidos perderam força, e o índice de emprego manufatureiro continuou abaixo da linha de expansão. A investigação, contudo, esbarra em um componente que não aparece de imediato no índice cheio.

Custo sobe mais rápido que produção

O avanço para 70,5 pontos no indicador de custos industriais indica pressão intensa na cadeia produtiva. Segundo o ISM, fábricas ampliaram compras para antecipar reajustes associados às tarifas de importação. Esse comportamento inflou estoques e elevou a demanda por insumos em um curto espaço de tempo.

Além disso, o índice de entregas de fornecedores subiu, o que indica prazos mais longos. Na prática, atrasos ampliam o poder de barganha de quem vende matéria-prima. Para além do encarecimento imediato, o cenário revela um risco de repasse aos preços finais, caso a demanda permaneça firme.

Tarifas e energia ampliam o risco inflacionário

A política comercial voltou ao centro da equação. Após decisão da Suprema Corte contra tarifas emergenciais, o governo dos Estados Unidos impôs taxa global temporária e sinalizou aumento posterior. Economistas avaliam que esse ambiente reforça a incerteza para a manufatura americana, responsável por pouco mais de 10% do PIB.

Ao mesmo tempo, a escalada no Oriente Médio elevou as cotações de petróleo e gás natural, após interrupções logísticas no Estreito de Ormuz. Energia mais cara pressiona fretes, combustíveis e insumos petroquímicos. O efeito combinado amplia o debate sobre a trajetória da inflação nos EUA.

Emprego reage, mas segue contido

O subíndice de mercado de trabalho industrial avançou levemente, porém permanece abaixo de 50 pontos. O ISM relata que empresas recorrem a demissões e deixam vagas em aberto para ajustar custos. Isso sugere cautela diante do cenário de margens pressionadas.

Enquanto isso, os pedidos em atraso cresceram e as exportações industriais ficaram estáveis, indicando demanda externa ainda presente, embora sem aceleração.

No curto prazo, a Indústria dos EUA opera em terreno positivo, mas sob tensão crescente. Se os custos persistirem elevados e houver repasse ao consumidor, o Federal Reserve poderá enfrentar um dilema entre crescimento e controle de preços, um teste decisivo para a política monetária em 2026.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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