O Índice de Confiança da Indústria subiu para 96,7 pontos em fevereiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (26/02). O indicador avançou 0,6 ponto frente a janeiro e registrou a terceira alta consecutiva, em meio a sinais de melhora na percepção do setor.
O índice tem 100 pontos como referência neutra. Abaixo desse patamar, prevalece avaliação negativa; acima, predomina otimismo. Portanto, apesar da sequência positiva, o nível atual ainda indica ambiente de cautela.
Índice de Confiança da Indústria e o momento atual
A melhora de fevereiro foi puxada principalmente pela avaliação das condições presentes. O Índice da Situação Atual (ISA) avançou mais do que o componente de expectativas, mostrando reação concentrada no curto prazo.
Indicadores Índice de Confiança da Indústria do bloco atual:
- ISA: 97,4 pontos (+1,0 ponto)
- Situação atual dos negócios: 95,6 pontos (+3,9 pontos)
- Estoques: 101,0 pontos (-0,6 ponto)
- Demanda atual: 97,9 pontos (-1,5 ponto)
- Alta disseminada em 12 dos 19 segmentos industriais
O avanço na percepção sobre os negócios compensou a perda de força da demanda corrente. Além disso, o ajuste nos estoques reduz distorções acumuladas no fim de 2025.
Indicador de confiança industrial e expectativas
No campo prospectivo, o avanço do Índice de Confiança da Indústria foi mais moderado. O Índice de Expectativas (IE) subiu 0,3 ponto, refletindo melhora na produção projetada, mas recuo nas intenções de contratação.
Destaques das expectativas apresentadas no Índice de Confiança da Indústria:
- IE: 96,0 pontos (+0,3 ponto)
- Produção prevista: 102,5 pontos (+2,3 pontos), maior nível desde dezembro de 2020
- Expectativa de emprego: 91,7 pontos (-4,0 pontos)
- Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI): 81,6% (+0,3 p.p.)
A produção projetada voltou a ultrapassar o patamar neutro, sugerindo retomada gradual do ritmo industrial. Em contrapartida, a queda nas expectativas de emprego revela postura defensiva das empresas diante do cenário macroeconômico.
Índice de Confiança da Indústria e o pano de fundo econômico
Mesmo com três meses seguidos de alta, o Índice de Confiança da Indústria permanece 1,9 ponto abaixo do nível observado em fevereiro de 2025. Ou seja, a recuperação ainda não recompôs totalmente as perdas acumuladas ao longo do segundo semestre passado.
Segundo Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE, a indústria “continua dando sinais de recuperação da confiança”, embora seja cedo para afirmar que o avanço será sustentado. Ele ressalta que a política monetária restritiva mantém o ambiente desafiador, mas destaca que eventual início de queda dos juros, câmbio apreciado e inflação mais próxima da meta podem favorecer o setor.
Nesse contexto, o Índice de Confiança da Indústria passa a funcionar como termômetro relevante para avaliar se a melhora recente ganhará consistência ao longo de 2026, especialmente diante da divergência entre produção em alta e emprego em retração.





