O comércio ilegal no Brasil atingiu em 2025 o maior patamar já registrado e gerou perdas estimadas em R$ 473,2 bilhões, segundo levantamento divulgado pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). O valor reúne prejuízos enfrentados por empresas e tributos que deixaram de ser arrecadados pelo poder público.
Do total calculado, R$ 326,3 bilhões correspondem a perdas diretas da indústria, enquanto R$ 146,8 bilhões representam evasão fiscal, ou seja, impostos que não chegaram aos cofres públicos devido à circulação de produtos contrabandeados, falsificados ou pirateados.
Comércio ilegal no Brasil avança em diversos setores
O levantamento reúne informações de 15 setores produtivos e mostra que o comércio irregular afeta cadeias relevantes da economia brasileira, sobretudo em mercados de grande circulação no varejo e com forte presença de falsificação ou contrabando.
Entre os segmentos com maiores perdas estimadas pelo comércio ilegal no Brasil estão:
- Vestuário — cerca de R$ 87,3 bilhões em prejuízos, reflexo da ampla circulação de roupas falsificadas e importações irregulares no mercado informal.
- Bebidas alcoólicas — aproximadamente R$ 83,2 bilhões em perdas, associadas à venda de produtos contrabandeados ou adulterados.
Outros setores industriais também registram impactos relevantes:
- Combustíveis — perdas estimadas em R$ 29 bilhões, ligadas principalmente a fraudes fiscais e comercialização irregular.
- Higiene pessoal, perfumaria e cosméticos — cerca de R$ 21 bilhões, impulsionados pela venda de produtos falsificados ou sem registro.
Além desses mercados, o estudo identifica prejuízos em diversas áreas da economia por conta do comércio ilegal no Brasil. Entre elas:
- Defensivos agrícolas — entrada irregular de produtos sem controle regulatório.
- Material esportivo — circulação de artigos falsificados.
- Óculos e acessórios — vendas de produtos pirateados.
- Celulares e eletrônicos — importações ilegais e falsificação.
- Brinquedos — comercialização de itens sem certificação.
- TV por assinatura — uso de serviços ilegais de transmissão.
Segundo o FNCP, esses segmentos concentram produtos com alto giro no mercado consumidor, característica que amplia a atratividade para redes de comércio ilegal, como contrabando e pirataria no Brasil
Economia clandestina amplia presença no país
O levantamento mostra que o problema vem se ampliando ao longo da década. Em 2020, o prejuízo estimado era de R$ 288 bilhões. Em cinco anos, o valor aumentou cerca de 64%, avanço superior a R$ 180 bilhões.
Com essa expansão, o comércio ilegal no Brasil passou a representar aproximadamente 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede toda a produção de bens e serviços da economia.
Para o presidente do FNCP, Edson Vismona, o fenômeno ganhou escala e organização nos últimos anos. Segundo ele, redes criminosas passaram a atuar em segmentos de grande circulação, como cigarros, combustíveis e bebidas alcoólicas, utilizando rotas logísticas consolidadas e estruturas próprias de distribuição.
Comércio ilegal no Brasil desafia fiscalização e legislação
Entre os produtos mais explorados nesse mercado está o cigarro contrabandeado. De acordo com pesquisa citada pelo FNCP, 31% dos cigarros vendidos no país em 2025 eram ilegais, com cerca de 32 bilhões de unidades circulando no mercado e movimentando aproximadamente R$ 10 bilhões para organizações criminosas.
Especialistas afirmam que o combate ao comércio irregular exige ações coordenadas de fiscalização e ajustes regulatórios. Segundo eles, a norma recente da Receita Federal passou a permitir retenção mais ágil de mercadorias suspeitas de falsificação.
Nesse contexto, especialistas avaliam que o avanço do comércio ilegal no Brasil amplia pressões sobre arrecadação tributária, competitividade da indústria e políticas de fiscalização, transformando o tema em um desafio estrutural para a economia nacional.





