Faturamento da indústria de alimentos bate recorde de R$ 1,38 trilhão em 2025

O faturamento da indústria de alimentos atingiu R$ 1,388 trilhão em 2025, segundo a Abia. O setor ampliou exportações, investimentos e geração de empregos, mesmo diante da alta de custos com energia, combustíveis e matérias-primas. Saiba mais.
faturamento da indústria de alimentos no Brasil em 2025
Produção, exportações e consumo interno impulsionaram o faturamento da indústria de alimentos brasileira em 2025. (Foto: Reprodução)

O faturamento da indústria de alimentos alcançou R$ 1,388 trilhão em 2025, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) nesta quinta-feira (05/03). O resultado representa crescimento de 8,02% em relação ao ano anterior e equivale a 10,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Além do avanço financeiro, a produção do setor chegou a 288 milhões de toneladas de alimentos ao longo do ano. Para o presidente executivo da Abia, João Dornellas, as empresas atravessaram um período de custos elevados enquanto mantiveram o abastecimento e o ritmo de produção no país.

Faturamento da indústria de alimentos e o peso do mercado interno

O consumo doméstico sustentou boa parte da expansão do faturamento da indústria de alimentos em 2025. Pela primeira vez, a receita no mercado interno superou a marca de R$ 1 trilhão e atingiu R$ 1,02 trilhão. Dornellas atribui o avanço ao crescimento de 8,4% do varejo alimentar, apesar de vendas fracas no início de 2026, e à expansão de 10,1% do food service, segmento ligado à alimentação fora do lar.

Além disso, as vendas externas ampliaram a presença do país no comércio global. As exportações somaram R$ 373 bilhões, ou US$ 66,73 bilhões. O volume representou 19,1% das exportações brasileiras e gerou superávit de US$ 57,5 bilhões na balança comercial, cerca de 84% do saldo total do país.

Expansão produtiva e investimento do setor alimentício

Proporcional ao faturamento da indústria de alimentos, o investimento das empresas de alimentos também cresceu. Segundo a Abia, as empresas destinaram R$ 41,3 bilhões ao setor em 2025, avanço de 6,8% em relação ao ano anterior. Desse total, cerca de R$ 26,7 bilhões foram aplicados em inovação tecnológica, enquanto R$ 14,5 bilhões financiaram fusões e aquisições.

Esse fluxo de capital contribuiu para a abertura de 850 novas fábricas ao longo do ano. Com isso, o parque industrial passou a operar com aproximadamente 78,5% da capacidade instalada, indicador que sugere espaço para ampliar a produção. Atualmente, o Brasil reúne cerca de 42 mil empresas formais de alimentos, das quais 93% são micro, pequenas e médias empresas.

Faturamento da indústria de alimentos sob pressão de custos

Apesar do desempenho elevado, os custos de produção aumentaram 5,1% ao longo de 2025. Dornellas atribui a pressão ao encarecimento das matérias-primas agrícolas, à alta dos combustíveis e ao aumento das tarifas de energia elétrica, que subiram 5%. As embalagens registraram alta superior a 10%.

Mesmo nesse ambiente, as empresas optaram por limitar o repasse aos consumidores. Como resultado, os alimentos industrializados registraram variação de 1,8% no ano, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 em 4,26%, cenário que também ajuda a contextualizar a evolução do faturamento da indústria de alimentos no período.

Emprego e perspectivas para a indústria de alimentos

No mercado de trabalho, o setor manteve a posição de maior empregador da indústria de transformação. Ao todo, são 2,125 milhões de empregos diretos e cerca de 8,5 milhões indiretos. Segundo a Abia, foram criadas 51 mil novas vagas formais em 2025, enquanto a massa salarial paga pelas empresas cresceu 9,94%.

Dornellas também comentou que discussões regulatórias podem alterar o cenário de custos no futuro. Segundo cálculos apresentados pela entidade, uma eventual mudança na jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 poderia gerar custo adicional de aproximadamente R$ 23 bilhões por ano para o setor.

Nesse cenário, o faturamento da indústria de alimentos evidencia o peso econômico de uma cadeia produtiva que combina consumo interno elevado, presença crescente no comércio exterior e forte geração de empregos, enquanto as empresas ampliam investimentos em eficiência para lidar com pressões de custos.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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