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OpenAI e Pentágono negociam limites para uso de IA na vigilância pública

OpenAI e Pentágono negociam cláusulas para impedir vigilância em massa em contratos de inteligência artificial. A discussão ocorre enquanto empresas de IA disputam acordos com o governo dos EUA e definem limites para o uso militar da tecnologia. Saiba mais.
OpenAI e Pentágono discutem uso de inteligência artificial em contratos de defesa
Negociações entre OpenAI e Pentágono colocam limites para o uso de inteligência artificial em projetos de segurança nacional nos EUA. (Foto: Ilustrativa)

A empresa controladora do ChatGPT, OpenAI, e o Pentágono iniciaram negociações para incluir salvaguardas adicionais em um contrato de inteligência artificial com o governo dos Estados Unidos. As conversas envolvem cláusulas destinadas a impedir que sistemas da empresa sejam utilizados em vigilância em massa de cidadãos americanos.

A startup fundada por Sam Altman já alterou a redação de partes do acordo e tenta introduzir novas proteções durante o período de implementação de três meses do contrato. A discussão ocorre enquanto cresce o uso de modelos de IA generativa, análise de dados e sistemas automatizados em operações de segurança nacional.

OpenAI e Pentágono discutem limites para vigilância

O texto atual do acordo, fechado no final de fevereiro, proíbe vigilância considerada “intencional”, “deliberada” ou “direcionada”. Ainda assim, especialistas jurídicos e funcionários que analisam o contrato alertam para possíveis brechas na redação.

Esses especialistas argumentam que o governo poderia monitorar cidadãos de forma “incidental” ao utilizar ferramentas avançadas de inteligência artificial. Inclusive, especialmente em sistemas que cruzam bases de dados governamentais, informações públicas e plataformas digitais.

A OpenAI tenta ampliar a linguagem do contrato para reduzir esse risco. A empresa procura estabelecer limites claros para o uso de seus modelos de linguagem, infraestrutura de computação. Além de plataformas de processamento de dados dentro de projetos ligados à defesa.

Disputa entre empresas de IA e governo

A negociação envolvendo OpenAI e Pentágono ocorre em um momento de tensão entre empresas de tecnologia e o governo dos Estados Unidos sobre o uso militar da inteligência artificial.

A rival Anthropic, criadora da IA Claude, perdeu recentemente um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa. A empresa se recusou a aceitar cláusulas que permitiriam o uso de seus sistemas para qualquer finalidade considerada legal pelo governo.

Segundo pessoas com conhecimento das conversas, o Pentágono pressionou empresas de IA a permitir aplicação ampla da tecnologia em operações militares, segurança nacional e agências de inteligência.

Conflito com Anthropic expõe tensão nos contratos de IA

A suspensão do contrato da Anthropic com o Departamento de Defesa ampliou a disputa entre empresas de inteligência artificial e o governo dos Estados Unidos. Diante da ruptura, o CEO da empresa, Dario Amodei, tenta reabrir negociações com o Pentágono.

Segundo pessoas próximas às conversas, Amodei discute possíveis ajustes contratuais com Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia. O Pentágono interrompeu o acordo anterior na semana passada, o que abriu espaço para o diálogo entre OpenAI e Pentágono.

A tensão entre os dois lados, no entanto, já transbordou para o campo público. Michael atacou Amodei, chamando-o de “mentiroso” com “complexo de Deus” um dia antes da suspensão do contrato. Amodei respondeu afirmando que o governo excluiu a Anthropic porque a empresa não fez elogios ao presidente Donald Trump. Ao contrário do que, segundo ele, fizeram lideranças da OpenAI.

OpenAI e Pentágono no centro do debate sobre IA

O episódio ampliou o debate sobre como contratos governamentais de IA, tecnologia militar, privacidade digital e governança de algoritmos devem ser tratados nos Estados Unidos. Nesse cenário, o acordo entre OpenAI e o Pentágono servirá como referência para futuras parcerias entre empresas de inteligência artificial e o setor de defesa.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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