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Preço do dólar dispara com risco no Oriente Médio e novos efeitos sobre inflação global

O preço do dólar fechou a R$ 5,28 após a escalada do conflito envolvendo Irã, EUA e Israel. O mercado teme que ataques no Golfo pressionem o petróleo e transmitam inflação para a economia global.
Preço do dólar sobe com tensão no Oriente Médio
Escalada militar no Golfo pressiona o preço do dólar e amplia temores sobre petróleo e inflação global. Imagem: Canva

O preço do dólar voltou a subir no Brasil diante da escalada militar no Oriente Médio e fechou a quinta-feira (5) a R$ 5,2870, com alta de 1,32%. A valorização da moeda americana ocorreu enquanto investidores ampliavam proteção em ativos considerados mais seguros após ataques envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Além da pressão doméstica, o câmbio acompanhou o fortalecimento global da moeda. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes como euro e libra, avançou 0,54%, alcançando 99,313 pontos. A leitura dominante nos mercados é que a escalada militar ampliou a aversão ao risco, deslocando capital para ativos defensivos, um padrão recorrente em crises geopolíticas. A investigação do mercado, contudo, aponta para um canal ainda mais sensível.

A guerra no Golfo recoloca o petróleo no radar inflacionário

O episódio que elevou a tensão ocorreu quando a Guarda Revolucionária do Irã atingiu um petroleiro norte-americano no norte do Golfo. A força militar também declarou que, em cenário de guerra, a passagem pelo Estreito de Ormuz poderia ficar sob controle da República Islâmica.

A rota marítima concentra uma parcela relevante do transporte global de petróleo bruto, e qualquer ameaça logística altera imediatamente o cálculo de risco nos mercados. O receio agora envolve a transmissão de um possível choque geopolítico para o cenário macroeconômico.

Além disso, novos ataques a navios-tanque no Golfo e a entrada de drones iranianos no Azerbaijão ampliaram a percepção de que o conflito pode atingir outras áreas produtoras de energia. Para investidores, essa hipótese altera expectativas de inflação, juros globais e crescimento econômico, um encadeamento que vai muito além do câmbio. Contudo, o impacto imediato já aparece no comportamento dos ativos financeiros.

Banco Central observa petróleo e inflação

No Brasil, o Banco Central acompanha o cenário com cautela. A elevação do petróleo costuma gerar pressão sobre os preços, mas ainda é cedo para estimar a duração do choque.

Enquanto isso, indicadores domésticos seguem relativamente estáveis. O IBGE informou que a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, nível que se manteve inalterado em relação ao trimestre anterior.

O que o avanço do preço do dólar realmente sinaliza

O avanço do preço do dólar nesta semana não reflete apenas a volatilidade de um dia de negociação. Ele revela como crises geopolíticas conseguem atravessar rapidamente o sistema financeiro global por meio do mercado de energia, das expectativas de inflação e da realocação de capital internacional.

Se a tensão no Golfo pressionar o petróleo por mais tempo, o choque pode se espalhar para juros, crescimento e política monetária em várias economias. Nesse cenário, o câmbio deixa de ser apenas um termômetro de risco e passa a funcionar como o primeiro alerta de uma possível mudança no ciclo econômico global.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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