A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (05/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice repetiu o patamar observado no trimestre anterior e representa o menor nível da série comparável iniciada em 2012.
Na comparação anual, o indicador recuou 1,1 ponto percentual frente ao trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025, quando estava em 6,5%. O levantamento integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), principal termômetro do mercado de trabalho brasileiro.
Taxa de desocupação no Brasil e estabilidade da ocupação
O país registrou 5,9 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente da série histórica. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve queda de 17,1%, equivalente a 1,2 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho.
Já a população ocupada alcançou 102,7 milhões de pessoas, também o maior nível da série. Apesar da estabilidade frente ao trimestre anterior, o contingente avançou 1,7% em relação ao ano anterior, com a inclusão de 1,7 milhão de trabalhadores.
Segundo Adriana Beriguy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o resultado indica estabilidade do mercado. “Os resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação”, afirmou.
Rendimento do trabalho e massa salarial
O levantamento também mostrou avanço nos indicadores de renda. O rendimento real habitual médio atingiu R$ 3.652, o maior valor da série da PNAD Contínua.
O indicador registrou crescimento de 2,8% no trimestre e de 5,4% na comparação anual, refletindo a evolução dos salários médios, da renda do trabalho e da massa salarial.
A massa de rendimento real habitual somou R$ 370,3 bilhões, outro recorde. O valor avançou 2,9% no trimestre, com acréscimo de R$ 10,5 bilhões, e 7,3% no ano, aumento equivalente a R$ 25,1 bilhões.
Taxa de desocupação no Brasil e informalidade
Outro indicador acompanhado pelos economistas foi a taxa de informalidade, que caiu para 37,5% da população ocupada. Trata-se do menor nível desde julho de 2020.
O contingente corresponde a 38,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, o percentual era de 37,8%, enquanto no mesmo período de 2024 estava em 38,4%.
De acordo com Adriana Beriguy, a redução está ligada à queda do trabalho sem carteira assinada e à ampliação de registros formais entre trabalhadores por conta própria. Segundo ela, houve expansão do registro de trabalhadores com CNPJ, fator que contribuiu para a redução da informalidade.
Além disso, o número de empregados com carteira assinada no setor privado chegou a 39,4 milhões, com crescimento anual de 2,1%. Já o contingente de trabalhadores por conta própria atingiu 26,2 milhões, alta de 3,7% no período.
Nesse contexto, os dados indicam que a taxa de desocupação no Brasil permanece em patamar historicamente baixo, ao mesmo tempo em que renda e formalização avançam. Para analistas do mercado de trabalho, essa combinação reforça a dinâmica recente do emprego e amplia o peso da massa salarial na atividade econômica.





