A produção industrial em janeiro cresceu 1,8% em relação a dezembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (06/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado marca a primeira leitura da atividade industrial brasileira em 2026 e indica recuperação no curto prazo após oscilações registradas no fim do ano passado.
Na comparação com janeiro de 2025, a indústria nacional avançou 0,2%, enquanto o acumulado em 12 meses passou a registrar alta de 0,5%. O levantamento integra a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), indicador que acompanha o ritmo da produção manufatureira e de diferentes segmentos industriais do país.
Produção industrial em janeiro e o desempenho dos segmentos
A produção industrial em janeiro avançou em todas as grandes categorias econômicas analisadas pelo IBGE, embora com intensidades diferentes entre os grupos produtivos. Os dados mostram quais segmentos sustentaram o resultado mensal:
Grandes categorias econômicas da indústria
- Bens de consumo duráveis (+6,3%) — maior crescimento do mês. O grupo inclui automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos, produtos sensíveis ao crédito, renda das famílias e confiança do consumidor.
- Bens de capital (+2,0%) — segmento ligado à produção de máquinas e equipamentos usados pelas empresas, indicador frequentemente associado ao nível de investimento produtivo.
- Bens intermediários (+1,7%) — reúne insumos industriais utilizados em diversas cadeias produtivas, como metalurgia, químicos e componentes industriais.
- Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (+1,2%) — grupo que inclui a indústria de alimentos, vestuário, produtos de higiene e itens de consumo cotidiano.
No conjunto da pesquisa, esses resultados mostram que a produção industrial em janeiro teve sustentação principalmente em segmentos ligados ao consumo e à produção de bens industriais.
Setores industriais com expansão e retração
A produção industrial em janeiro cresceu no índice geral, mas o avanço ficou concentrado. Segundo o IBGE, 17 dos 25 ramos industriais registraram queda, o que mostra que poucos setores sustentaram o resultado do mês. Entre os destaques aparecem:
Setores que impulsionaram a produção industrial em janeiro
- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+6,5%) – avanço associado ao aumento da produção de equipamentos utilizados em diferentes cadeias industriais e infraestrutura elétrica.
- Veículos automotores, reboques e carrocerias (+6,3%) – setor automotivo voltou a ampliar a fabricação de veículos, um dos fatores que ajudaram a elevar a produção industrial em janeiro.
- Produtos químicos (+6,2%) – crescimento ligado à demanda de insumos utilizados em diversas etapas da indústria.
- Metalurgia (+4,1%) – expansão na produção de metais e ligas industriais usados em setores como construção e máquinas.
- Bebidas (+4,1%) – aumento da fabricação de produtos voltados ao consumo interno.
Setores que pressionaram o resultado da indústria
- Máquinas e equipamentos (-6,7%) – retração na produção de máquinas industriais, segmento sensível ao ritmo de investimentos produtivos.
- Impressão e reprodução de gravações (-7,6%) – uma das maiores quedas entre as atividades pesquisadas.
- Confecção de vestuário (-2,2%) – recuo na produção do setor têxtil no início do ano.
- Celulose, papel e produtos de papel (-1,9%) – redução no volume produzido no período.
- Produtos alimentícios (-0,8%) – leve queda em um dos maiores ramos da indústria brasileira.
No conjunto da pesquisa, 17 dos 25 ramos industriais registraram queda, o que indica que a alta da produção industrial em janeiro ocorreu de forma concentrada em alguns setores específicos da atividade industrial.
Produção industrial em janeiro e a tendência da indústria
Apesar da alta mensal, outros indicadores apontam um cenário mais moderado para a atividade industrial brasileira. A média móvel trimestral da produção registrou recuo de 0,1%, mantendo trajetória de leve desaceleração observada desde o fim de 2025.
Esse indicador busca suavizar oscilações mensais e oferece leitura mais estrutural da dinâmica da indústria nacional. No recorte recente, segmentos ligados a investimento produtivo, como bens de capital, ainda apresentam desempenho mais fraco.
Além disso, o calendário industrial também influenciou a comparação anual. Janeiro de 2026 teve 21 dias úteis, um a menos do que no mesmo mês do ano anterior.
Mesmo assim, segundo a pesquisa do IBGE, a produção industrial em janeiro inaugura o calendário econômico de 2026 com um sinal relevante: parte da indústria reage no curto prazo, mas o ritmo de expansão ainda depende da evolução da demanda interna, das condições de crédito e do comportamento do investimento produtivo ao longo do ano.





