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Produção industrial em janeiro cresce 1,8% e abre 2026 com sinais mistos

A produção industrial em janeiro cresceu 1,8% no Brasil, segundo o IBGE. Bens duráveis lideraram a alta, enquanto vários setores ainda registram retração. O resultado inaugura 2026 com recuperação pontual, mas tendência industrial segue moderada. Saiba mais.
produção industrial em janeiro nas fábricas brasileiras
Fabricação de automóveis foi um dos segmentos industriais que apresentou maior crescimento em janeiro. (Foto: Reprodução)

A produção industrial em janeiro cresceu 1,8% em relação a dezembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (06/03) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado marca a primeira leitura da atividade industrial brasileira em 2026 e indica recuperação no curto prazo após oscilações registradas no fim do ano passado.

Na comparação com janeiro de 2025, a indústria nacional avançou 0,2%, enquanto o acumulado em 12 meses passou a registrar alta de 0,5%. O levantamento integra a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), indicador que acompanha o ritmo da produção manufatureira e de diferentes segmentos industriais do país.

Produção industrial em janeiro e o desempenho dos segmentos

A produção industrial em janeiro avançou em todas as grandes categorias econômicas analisadas pelo IBGE, embora com intensidades diferentes entre os grupos produtivos. Os dados mostram quais segmentos sustentaram o resultado mensal:

Grandes categorias econômicas da indústria

  • Bens de consumo duráveis (+6,3%) — maior crescimento do mês. O grupo inclui automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos, produtos sensíveis ao crédito, renda das famílias e confiança do consumidor.
  • Bens de capital (+2,0%) — segmento ligado à produção de máquinas e equipamentos usados pelas empresas, indicador frequentemente associado ao nível de investimento produtivo.
  • Bens intermediários (+1,7%) — reúne insumos industriais utilizados em diversas cadeias produtivas, como metalurgia, químicos e componentes industriais.
  • Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (+1,2%) — grupo que inclui a indústria de alimentos, vestuário, produtos de higiene e itens de consumo cotidiano.

No conjunto da pesquisa, esses resultados mostram que a produção industrial em janeiro teve sustentação principalmente em segmentos ligados ao consumo e à produção de bens industriais.

Setores industriais com expansão e retração

A produção industrial em janeiro cresceu no índice geral, mas o avanço ficou concentrado. Segundo o IBGE, 17 dos 25 ramos industriais registraram queda, o que mostra que poucos setores sustentaram o resultado do mês. Entre os destaques aparecem:

Setores que impulsionaram a produção industrial em janeiro

  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+6,5%) – avanço associado ao aumento da produção de equipamentos utilizados em diferentes cadeias industriais e infraestrutura elétrica.
  • Veículos automotores, reboques e carrocerias (+6,3%) – setor automotivo voltou a ampliar a fabricação de veículos, um dos fatores que ajudaram a elevar a produção industrial em janeiro.
  • Produtos químicos (+6,2%) – crescimento ligado à demanda de insumos utilizados em diversas etapas da indústria.
  • Metalurgia (+4,1%) – expansão na produção de metais e ligas industriais usados em setores como construção e máquinas.
  • Bebidas (+4,1%) – aumento da fabricação de produtos voltados ao consumo interno.

Setores que pressionaram o resultado da indústria

  • Máquinas e equipamentos (-6,7%) – retração na produção de máquinas industriais, segmento sensível ao ritmo de investimentos produtivos.
  • Impressão e reprodução de gravações (-7,6%) – uma das maiores quedas entre as atividades pesquisadas.
  • Confecção de vestuário (-2,2%) – recuo na produção do setor têxtil no início do ano.
  • Celulose, papel e produtos de papel (-1,9%) – redução no volume produzido no período.
  • Produtos alimentícios (-0,8%) – leve queda em um dos maiores ramos da indústria brasileira.

No conjunto da pesquisa, 17 dos 25 ramos industriais registraram queda, o que indica que a alta da produção industrial em janeiro ocorreu de forma concentrada em alguns setores específicos da atividade industrial.

Produção industrial em janeiro e a tendência da indústria

Apesar da alta mensal, outros indicadores apontam um cenário mais moderado para a atividade industrial brasileira. A média móvel trimestral da produção registrou recuo de 0,1%, mantendo trajetória de leve desaceleração observada desde o fim de 2025.

Esse indicador busca suavizar oscilações mensais e oferece leitura mais estrutural da dinâmica da indústria nacional. No recorte recente, segmentos ligados a investimento produtivo, como bens de capital, ainda apresentam desempenho mais fraco.

Além disso, o calendário industrial também influenciou a comparação anual. Janeiro de 2026 teve 21 dias úteis, um a menos do que no mesmo mês do ano anterior.

Mesmo assim, segundo a pesquisa do IBGE, a produção industrial em janeiro inaugura o calendário econômico de 2026 com um sinal relevante: parte da indústria reage no curto prazo, mas o ritmo de expansão ainda depende da evolução da demanda interna, das condições de crédito e do comportamento do investimento produtivo ao longo do ano.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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