O valor de mercado da Fórmula 1 encolheu cerca de US$ 1,9 bilhão desde o início da guerra envolvendo o Irã, refletindo preocupações sobre corridas programadas no Oriente Médio. Nesta sexta-feira (06), a temporada 2026 começa em Melbourne enquanto investidores acompanham os desdobramentos do conflito.
As ações da Liberty Formula One, empresa ligada à Liberty Media que controla a competição, acumulam queda superior a 7% em Nova York nesta semana. Apesar do recuo recente, a capitalização da categoria permanece acima de US$ 21 bilhões, sustentada pela expansão comercial dos últimos anos.
Corridas da F1 no Oriente Médio sob avaliação
O risco imediato envolve as provas previstas para o próximo mês no Bahrein e na Arábia Saudita. A escalada militar na região ampliou dúvidas sobre segurança, logística e deslocamento de equipes, fatores que podem alterar a programação da temporada.
A presença da categoria no Oriente Médio tornou-se parte central do modelo de negócios do campeonato. Atualmente, o calendário inclui quatro corridas na região, entre elas as etapas finais no Catar e em Abu Dhabi.
Além das corridas, investidores locais também participam da estrutura das equipes. O Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) possui participação minoritária na Aston Martin, enquanto o fundo soberano do Bahrein Mumtalakat e a CYVN Holdings, de Abu Dhabi, controlam a McLaren.
Histórico mostra precedentes de cancelamentos
A Fórmula 1 já enfrentou episódios semelhantes. Em 2011, o Grande Prêmio do Bahrein foi cancelado após protestos internos no país, decisão tomada apenas semanas antes da prova.
O ambiente atual também atingiu outras categorias do automobilismo internacional. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu adiar os 1812 km do Catar, etapa do Campeonato Mundial de Endurance prevista para ocorrer entre 26 e 28 de março.
Valor de mercado da Fórmula 1 ainda reflete expansão global
Apesar da pressão recente, o valor de mercado da Fórmula 1 continua apoiado na expansão da audiência global. Nos Estados Unidos, o interesse pelo campeonato cresceu após a série “Formula 1: Drive to Survive”, da Netflix, e com o lançamento recente do filme “F1: O Filme”.
Além disso, a temporada 2026 estreia novas regras de potência, mudança que tende a alterar o equilíbrio competitivo entre as equipes e ampliar o interesse de fabricantes e patrocinadores.
Dessa forma, o valor de mercado da Fórmula 1 passa a refletir não apenas a expansão comercial do campeonato, mas também o peso crescente das tensões geopolíticas sobre um negócio esportivo cada vez mais global.





