Defasagem do diesel chega a 85% e trava importações no Brasil

A defasagem do diesel no Brasil chegou a 85% após a alta do petróleo internacional. Importadores suspenderam compras e o setor monitora riscos ao abastecimento se o descompasso de preços persistir. Saiba mais.
defasagem do diesel no Brasil após alta do petróleo Brent
Alta do petróleo amplia diferença entre preços internacionais e diesel vendido no Brasil. (Foto: Reprodução)

A defasagem do diesel atingiu 85% nesta segunda-feira (09/03) e alterou o funcionamento do mercado de combustíveis no Brasil. Com o petróleo internacional acima de US$ 100 por barril, importadores suspenderam compras do produto, enquanto a Petrobras mantém os preços domésticos sem reajuste há mais de 300 dias.

O diesel comprado no exterior responde por cerca de 30% do consumo brasileiro, fator que ampliou a preocupação entre agentes do setor. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o mercado ficou praticamente paralisado desde a escalada das tensões no Oriente Médio.

Defasagem do diesel trava compras no mercado internacional

A diferença entre os preços praticados no Brasil e no exterior tornou inviável a importação do combustível. De acordo com a Abicom, a atual defasagem do diesel abriria espaço para um reajuste de R$ 2,74 por litro no produto vendido pela Petrobras.

“Desde o início do conflito não está chegando carga nova; o mercado está parado. Nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço. Ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento”, afirmou Sergio Araújo, presidente da Abicom. Segundo ele, em respeito à defasagem do diesel, os estoques existentes no país sustentariam o abastecimento por aproximadamente 15 dias, caso novas cargas não sejam contratadas.

Diferença de preços pressiona refinarias e concorrentes

O desajuste entre os valores domésticos e internacionais também afeta outras refinarias. A Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe (BA), elevou o preço do diesel em 26% apenas em março.

Mesmo após o reajuste, a diferença frente ao mercado externo permanece em 42%, indicando que o combustível ainda segue abaixo da paridade internacional. No setor, operadores relatam aumento da procura direta nas unidades da Petrobras, enquanto refinarias privadas operam com capacidade limitada para suprir todo o mercado. Cenário, portanto, que amplia a atenção do setor diante da atual defasagem do diesel no país.

Defasagem do diesel reflete choque global do petróleo

A disparada das cotações do petróleo ajuda a explicar o cenário de defasagem do diesel. O petróleo Brent, referência global da commodity, abriu o pregão próximo de US$ 120 por barril e recuou ao longo do dia para níveis próximos de US$ 100.

Especialistas do mercado de energia avaliam que os preços passaram a refletir temores de um choque de oferta após a escalada do conflito no Oriente Médio. Além disso, a expectativa inicial era de uma resolução rápida das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que não ocorreu.

Com ataques à infraestrutura energética e restrições ao transporte marítimo em rotas estratégicas, aumentaram as incertezas sobre os fluxos globais de petróleo, pressionando as cotações da commodity e ampliando o desequilíbrio entre os preços internacionais e o combustível vendido no Brasil. Nesse ambiente, a defasagem do diesel ganha peso no debate sobre a política de preços e mantém o mercado atento aos próximos passos da Petrobras.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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