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Falta de diesel no RS expõe tensão logística em plena colheita

Produtores denunciam falta de diesel no RS durante a colheita e relatam alta de mais de R$ 1,20 por litro. ANP abriu investigação para apurar entregas e preços enquanto o petróleo supera US$ 100 e pressiona o mercado de combustíveis.
Falta de diesel no RS afeta colheita agrícola
Máquinas agrícolas operam durante colheita no Rio Grande do Sul em meio a denúncias de falta de diesel. Imagem: Canva

Falta de diesel no RS passou a preocupar o agronegócio justamente quando a colheita ganha ritmo no campo. Neste momento, colheitadeiras avançam sobre lavouras de soja, arroz e milho. Produtores relatam cancelamento de entregas. Além disso, apontam aumento superior a R$ 1,20 por litro no combustível. Diante dessas queixas, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) abriu investigação sobre o abastecimento no estado.

As denúncias surgiram, inicialmente, a partir de relatos enviados à Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e à Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Segundo as entidades, produtores afirmam que pedidos de diesel foram suspensos ou adiados nas últimas horas. Isso ocorre justamente quando a demanda cresce. Durante a colheita agrícola, tratores e colheitadeiras dependem do combustível para manter o ritmo das operações. Ainda assim, a investigação esbarra em um detalhe técnico da cadeia de distribuição.

Diesel rural enfrenta gargalo entre refinaria e propriedade

Parte das reclamações envolve a atuação dos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs). Esses operadores são responsáveis por levar o diesel agrícola até as propriedades rurais. Segundo a Farsul, produtores receberam comunicados sobre interrupção temporária da distribuição nas refinarias. De acordo com os relatos, isso teria ocorrido sem aviso prévio.

Em nota, a entidade mencionou “preocupação com reclamações recorrentes da não entrega de combustíveis pelos TRRs nas últimas 48 horas”. Paralelamente, a Federarroz também registrou relatos de cancelamento de pedidos. Além disso, produtores apontaram aumento abrupto no preço do combustível no início da safra. Assim, além do impacto imediato nas lavouras, o episódio levanta dúvidas sobre o funcionamento da cadeia logística do combustível.

Alta do petróleo pressiona expectativa de repasses

Ao mesmo tempo, o cenário internacional também pressiona o mercado de combustíveis. Isso ocorre após a escalada da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, o petróleo Brent superou US$ 100 por barril. Além disso, acumula valorização superior a 60% desde os ataques ao Irã no fim de fevereiro.

Diante desse ambiente, a Fecombustíveis, entidade que representa sindicatos de postos, afirmou ter recebido relatos de distribuidoras. Segundo a organização, algumas empresas estariam ajustando preços. O motivo seria o encarecimento do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, a Petrobras, principal fornecedora do país, não havia alterado oficialmente o preço do diesel nas refinarias.

ANP investiga e afirma haver estoque suficiente

Diante das denúncias, a ANP iniciou contato com fornecedores regionais. Além disso, informou que equipes técnicas estão verificando instalações e operações do mercado de distribuição de diesel no estado. Em paralelo, as distribuidoras serão notificadas. Elas deverão informar volumes em estoque, pedidos recebidos e pedidos efetivamente aceitos.

Segundo a agência reguladora, o Rio Grande do Sul possui capacidade de abastecimento superior ao consumo. O estado conta com produção da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras. Além disso, também possui a Refinaria Riograndense. Ainda de acordo com a autarquia, até o momento não foram identificadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem eventual recusa no fornecimento do combustível.

Quando o diesel vira variável estratégica da safra

Assim, a falta de diesel no RS mostra como a logística energética se tornou sensível para o agronegócio moderno. Colheitas mecanizadas dependem de fluxo contínuo de combustível. Portanto, qualquer ruptura na cadeia, seja logística, comercial ou geopolítica, rapidamente eleva custos e provoca atrasos operacionais. Em um cenário de petróleo volátil e distribuição pressionada, o diesel deixa de ser apenas insumo agrícola. Passa, então, a funcionar como indicador da estabilidade logística do próprio sistema produtivo.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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