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IGP-M de março mantém deflação na primeira prévia e chega a -0,19%

A primeira leitura do IGP-M de março mantém o índice em deflação, mas a queda perdeu intensidade. A desaceleração vem principalmente do atacado, sinalizando possível mudança gradual na dinâmica de preços que influencia contratos de aluguel e cadeias produtivas.
IGP-M de março e inflação do aluguel em queda no Brasil
Primeira prévia do IGP-M de março indica deflação menor puxada pelo comportamento dos preços no atacado. Imagem: Canva

O IGP-M de março começou o mês ainda em território negativo. A primeira prévia divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou queda de 0,19%, mantendo o índice associado à inflação do aluguel em deflação. A leitura inicial, contudo, traz uma nuance relevante: o ritmo de recuo perdeu força em relação ao mês anterior.

Na primeira prévia de fevereiro, o indicador havia marcado -0,49%, uma queda mais intensa. Agora, o índice continua negativo, mas com menor intensidade. Essa diferença revela uma alteração na dinâmica dos preços dentro da economia, especialmente na etapa anterior ao consumidor. A leitura detalhada do índice mostra que a mudança começa no atacado.

O atacado reduz a intensidade da queda de preços

O principal vetor dessa mudança aparece no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede valores praticados na porta das fábricas e na cadeia produtiva. O indicador passou de -0,88% para -0,36%, indicando que os preços ainda recuam, porém em ritmo menor.

Como o IPA possui o maior peso dentro do IGP-M, alterações nesse componente tendem a influenciar o resultado final do índice. Na prática, isso sugere uma diminuição da pressão baixista sobre commodities, insumos industriais, cadeias de produção e outros itens negociados no atacado. Esse ajuste, porém, não se restringe ao setor produtivo.

Consumo e construção também mostram desaceleração

O comportamento dos demais componentes do índice segue direção semelhante. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que acompanha preços diretamente percebidos pelas famílias, desacelerou de 0,39% para 0,10%.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), ligado a materiais de obra, mão de obra, infraestrutura urbana e insumos da construção, também reduziu a intensidade da alta. A taxa passou de 0,51% para 0,36% na primeira prévia de março.

Esses três indicadores, IPA, IPC e INCC, formam a base do IGP-M, indicador amplamente usado para reajustar contratos de aluguel, acordos corporativos e diferentes tipos de indexação econômica. Quando todos desaceleram simultaneamente, o resultado geral tende a revelar uma mudança gradual no ciclo de preços.

O que a prévia indica sobre a trajetória do índice

A manutenção da deflação no IGP-M de março ainda sustenta um ambiente de pressão reduzida sobre reajustes indexados ao indicador. Entretanto, a desaceleração da queda no atacado sugere que a fase de recuos mais intensos pode estar perdendo tração.

Na cadeia econômica, os preços do produtor frequentemente antecipam mudanças que mais tarde chegam ao varejo. Quando o ritmo de queda diminui nesse estágio, analistas observam sinais de estabilização em cadeias produtivas, logística de insumos, matérias-primas industriais e custos intermediários.

E agora?

Se essa trajetória continuar nas próximas leituras, o IGP-M de março poderá indicar uma transição gradual entre um período de forte recuo de preços e uma fase mais estável. Para contratos indexados ao indicador, especialmente no mercado imobiliário, o efeito imediato ainda é de reajustes moderados.

Contudo, a desaceleração da deflação no atacado levanta uma questão estratégica para analistas: quando a pressão negativa perde intensidade na base da cadeia produtiva, o próximo capítulo da inflação costuma começar antes mesmo de aparecer no varejo.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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