Uma onda de demissões na Stone ganhou dimensão pública nesta semana após a fintech líder em soluções financeiras e de tecnologia promover cortes que atingiram entre 300 e 400 profissionais, cerca de 3% da força de trabalho. A empresa, que possui aproximadamente 14 mil funcionários, concentrou os desligamentos principalmente na área de tecnologia.
O CEO Mateus Scherer, que assumiu o comando da companhia no início do mês, comunicou internamente a decisão. Segundo relatos de profissionais que acompanharam o processo, a redução do quadro foi apresentada como parte de uma reestruturação voltada ao aumento de eficiência operacional.
Demissões na Stone e reorganização interna
Em nota, a companhia afirmou que realizou um “ajuste pontual” na estrutura organizacional. Além disso, a empresa explicou que a medida integra um processo contínuo de simplificação da operação e busca por eficiência. Cenário visto já em 2025 quando a fintech encerrou programa de BDRs Patrocinados Nível I na B3
Além disso, ainda de acordo com pessoas com conhecimento do processo, o avanço de iniciativas envolvendo inteligência artificial, automação de processos e novas ferramentas digitais também teria influenciado a decisão envolvendo as demissões na Stone
Apesar das mudanças, a fintech afirmou que suas operações financeiras, serviços de pagamento e atendimento a clientes seguem funcionando normalmente, sem alteração para parceiros ou usuários da plataforma.
Reestruturação da fintech e reação sindical
A onda de demissões na Stone provocou reação do Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD-SP). Em nota pública, a entidade criticou as demissões coletivas realizadas pela empresa.
O sindicato citou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual desligamentos em massa devem ocorrer após negociação com representantes da categoria. Para a entidade, a decisão da companhia desrespeita esse princípio e compromete o sistema de relações de trabalho previsto na Constituição.
O SINDPD-SP informou que pretende acionar a Justiça do Trabalho e pedir a reintegração dos profissionais desligados, alegando prática considerada antissindical.
Demissões na Stone e pressão do mercado
As demissões na Stone ocorreram em um momento de maior pressão sobre a companhia no mercado financeiro. Na semana passada, as ações da fintech chegaram a cair quase 20% nas mínimas do pregão após a divulgação dos resultados do quarto trimestre.
Os números mostraram desaceleração no volume total de pagamentos (TPV) da operação de adquirência. O indicador atingiu R$ 151 bilhões, com crescimento anual de 5,3%, abaixo do avanço próximo de 9% registrado no trimestre anterior.
Investidores também aguardam definição sobre o destino dos recursos obtidos com a venda da Linx para a Totvs, operação que gerou R$ 3,08 bilhões. A empresa informou que decidirá apenas em abril se fará distribuição por dividendos ou recompra de ações.
Diante desse cenário, analistas do setor observam que reorganizações internas e ajustes de custos, com da Stone, passaram a integrar a estratégia de diversas fintechs brasileiras. Especialmente em um ambiente de juros elevados, pressão por rentabilidade e maior cobrança do mercado por eficiência operacional.





