Inflação nos EUA sobe 0,3% em fevereiro com avanço da gasolina e petróleo

A inflação nos EUA subiu 0,3% em fevereiro, puxada pelo aumento da gasolina após a alta do petróleo. Apesar disso, o núcleo da inflação desacelerou, reforçando a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
Inflação nos EUA pressionada pelo preço da gasolina
Alta da gasolina após tensão no Oriente Médio aparece como principal fator da inflação nos EUA em fevereiro. Imagem: Canva

Inflação nos EUA avançou 0,3% em fevereiro, com o custo da gasolina liderando a pressão sobre o índice ao consumidor e reacendendo alertas no mercado de energia. O resultado divulgado pelo Departamento do Trabalho veio exatamente dentro das projeções de economistas consultados pela Reuters, após alta de 0,2% registrada em janeiro.

Em termos anuais, a inflação americana permaneceu em 2,4%, mantendo estabilidade pelo segundo mês seguido. Ainda assim, a composição do índice revela um fator de atenção: combustíveis voltaram a ganhar peso na formação de preços. Desde o fim de fevereiro, o valor médio da gasolina nos Estados Unidos subiu mais de 18%, alcançando US$ 3,54 por galão, segundo dados da AAA (American Automobile Association). Para além do número cheio, um detalhe técnico da leitura chama atenção.

Energia pressiona a inflação nos EUA enquanto petróleo reage à guerra

O principal vetor da inflação nos EUA no mês foi o encarecimento da energia. A escalada militar no Oriente Médio elevou o preço do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril, ampliando o custo dos combustíveis e afetando diretamente o índice ao consumidor.

Esse repasse ocorre de forma relativamente rápida porque gasolina e diesel possuem forte peso na cesta de consumo. Além disso, o encarecimento da energia costuma se espalhar pela economia por meio de fretes, logística e cadeias de transporte, elementos que tendem a pressionar preços nos meses seguintes. Contudo, um segundo indicador sugere uma leitura diferente sobre a dinâmica inflacionária.

Núcleo do CPI mostra desaceleração em serviços e bens

Excluindo alimentos e energia, o chamado núcleo da inflação registrou aumento de 0,2% em fevereiro, após avanço de 0,3% no mês anterior. Em doze meses, a taxa permaneceu em 2,5%.

A moderação ocorreu principalmente por dois fatores: queda nos preços de veículos usados e avanço menor dos aluguéis residenciais, dois componentes relevantes na estrutura do CPI. Esse comportamento indica que, fora o choque de energia, a inflação subjacente segue relativamente contida.

Além disso, a estabilidade anual reflete um fator estatístico importante. Leituras mais elevadas do ano anterior deixaram a base de comparação, o que ajuda a segurar a variação anual mesmo diante de pressões recentes.

Dado reforça expectativa de cautela do Federal Reserve

Embora o Federal Reserve (Fed) utilize o índice PCE como referência para sua meta de 2%, o CPI continua sendo um indicador relevante para calibrar expectativas de política monetária.

Com a inflação anual ainda próxima da meta e o núcleo desacelerando na margem, o mercado avalia que o banco central deve manter a taxa de juros na próxima reunião, aguardando novos sinais da economia.

Ao mesmo tempo, o avanço da gasolina cria uma variável externa difícil de controlar. Se o petróleo permanecer elevado e contaminar transportes e serviços, a trajetória da inflação nos EUA pode ganhar novo impulso nos próximos meses, e obrigar o Fed a prolongar o período de juros elevados.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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