A manhã desta quarta-feira (11) começou agitada no mercado financeiro, após a Raízen protocolar na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar as dívidas financeiras. A empresa informou que a iniciativa busca criar um ambiente jurídico mais estável para negociar compromissos que somam cerca de R$ 65,1 bilhões.
O plano foi estruturado em acordo com credores financeiros sem garantia. Segundo a empresa, instituições que representam mais de 47% dessas obrigações já aderiram à proposta, percentual que permite formalizar o pedido. Agora, a companhia terá até 90 dias para ampliar o apoio necessário e viabilizar a homologação judicial.
Recuperação extrajudicial da Raízen e a negociação com credores
A estratégia prevê uma reorganização ampla da estrutura financeira da Raízen. Entre as alternativas avaliadas estão conversão de dívida em ações, emissão de novos instrumentos de dívida, venda de ativos e possíveis reorganizações societárias.
Além disso, o plano também admite aporte de capital por acionistas. Nos bastidores do mercado, uma proposta de capitalização de R$ 4 bilhões está em análise. O desenho em discussão inclui R$ 3,5 bilhões da Shell e outros R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado ao empresário Rubens Ometto.
A companhia ressaltou que a reestruturação possui escopo estritamente financeiro. Em comunicado, a empresa afirmou que as obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais não fazem parte do processo e continuarão sendo honradas normalmente.
Reestruturação financeira da companhia
O pedido ocorre após a empresa registrar forte pressão em sua estrutura de capital. Dados divulgados anteriormente mostram que a dívida líquida alcançou R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro.
Segundo executivos da companhia da Raízen, fatores como investimentos elevados, condições climáticas instáveis e juros elevados contribuíram para pressionar o fluxo de caixa nos últimos anos.
Durante conversa com analistas, o CEO da empresa, Marcelo Martins, afirmou que as negociações com credores avançaram nas últimas semanas.
“Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado”, disse.
Recuperação extrajudicial Raízen e próximos passos
Enquanto as negociações avançam, a Cosan, controladora da empresa, acompanha o processo como acionista. Segundo o próprio Marcelo Martins, a holding não deve participar diretamente da capitalização em análise, mas monitora as discussões.
O executivo afirmou que há “um engajamento bastante forte” nas conversas envolvendo credores e acionistas. De acordo com ele, novos desdobramentos podem surgir nos próximos dias à medida que o plano avance.
No cenário do setor de energia, biocombustíveis e distribuição de combustíveis, a recuperação extrajudicial Raízen passa a ser observada com atenção por investidores e analistas. A forma como a companhia reorganizará seu passivo pode redefinir o ritmo de investimento da empresa e influenciar o ambiente competitivo do mercado de etanol, açúcar e combustíveis no Brasil.





