A reserva estratégica de petróleo entrou no centro das decisões energéticas globais nesta quarta-feira (11/03), quando a Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou a liberação coordenada de 400 milhões de barris para conter a disparada dos preços do petróleo. A decisão, tomada por unanimidade entre os 32 países membros da organização, ocorre após o barril atingir US$ 199,46 na segunda-feira (09/03).
A medida ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O volume aprovado supera qualquer operação semelhante já coordenada pela agência desde sua criação, na década de 1970.
Reserva estratégica de petróleo e resposta emergencial ao mercado
A liberação anunciada pela AIE mais que dobra o maior volume já utilizado anteriormente. Em 2022, durante a guerra na Ucrânia, os países membros liberaram 182,7 milhões de barris da reserva estratégica de petróleo em dois meses para reduzir a pressão sobre o mercado global de petróleo.
Segundo Sara Aagesen, ministra de Energia da Espanha, a proposta atual ultrapassa amplamente aquele precedente. “Eu diria que é a maior proposta da história da Agência Internacional de Energia”, afirmou. A ministra também destacou que o volume aprovado representa mais do que o dobro da liberação adotada na crise energética provocada pela invasão russa da Ucrânia.
Estoques estratégicos entram no cenário energético global
A execução da medida ainda depende da definição do calendário de cada país participante. A AIE informou que cada governo definirá o cronograma de liberação da reserva estratégica de petróleo. Conforme, é claro, sua própria capacidade de disponibilizar estoques de energia.
Além disso, fontes internas afirmam que os países poderão distribuir a liberação ao longo de pelo menos dois meses. Já Sara Aagesen declarou que os governos terão até 90 dias para colocar no mercado os barris aprovados da reserva estratégica de petróleo. Mesmo após a decisão política, autoridades ainda precisam discutir aspectos como alocação de volumes, logística e ritmo de distribuição no mercado internacional.
reserva estratégica de petróleo volta ao centro da coordenação internacional
A discussão também chegou ao G7, cujos ministros de Energia manifestaram apoio ao uso de reservas estratégicas para enfrentar a turbulência no mercado internacional de energia. O tema será debatido nesta quarta-feira (11) em reunião de líderes do grupo, que deve ser presidida pelo presidente francês Emmanuel Macron.
Em comunicado conjunto divulgado após reunião virtual realizada na segunda-feira, os ministros afirmaram apoiar “medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”. Segundo uma fonte do G7, nenhum país enfrenta escassez física imediata de petróleo bruto, mas a rápida alta das cotações exige coordenação entre governos.
Nesse contexto, a reserva estratégica de petróleo volta a assumir papel central na política energética das economias avançadas. Criada após a crise do petróleo dos anos 1970, a AIE mantém o sistema de coordenação desses estoques para responder a choques de oferta e volatilidade no preço do barril. Reforçando, portanto, a importância desses instrumentos na estabilidade do mercado global.



