O varejo brasileiro iniciou 2026 com um resultado acima das projeções do mercado. As vendas avançaram 0,4% em janeiro frente a dezembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta contrasta com a estimativa de queda de 0,10%, sinalizando um início de ano mais robusto para o consumo das famílias.
Na comparação com janeiro de 2025, o comércio varejista ampliou as vendas em 2,8%, também acima das expectativas, que apontava avanço de 1,65%. Além disso, o resultado ocorreu mesmo após um final de 2025 marcado por perda de fôlego do setor. Ainda assim, a abertura dos dados revela uma estrutura menos homogênea do que o número agregado sugere, e isso muda a leitura do indicador.
Farmácias e vestuário impulsionam avanço do varejo brasileiro
Entre as atividades do varejo, quatro das oito pesquisadas registraram expansão no mês. O maior avanço apareceu em artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria, com alta de 2,6%. Logo depois vieram tecidos, vestuário e calçados, que cresceram 1,8%.
Também contribuíram para o desempenho positivo os segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 1,3%, e hipermercados e supermercados, cuja variação foi de 0,4%. Esses ramos concentram itens ligados ao consumo cotidiano, como alimentos, produtos de higiene e bens essenciais, o que ajuda a sustentar o ritmo do mercado consumidor.
Contudo, o quadro setorial não é uniforme. Enquanto categorias de consumo recorrente avançaram, outros segmentos registraram retração relevante, um contraste que altera o diagnóstico sobre a força real da demanda.
Tecnologia lidera queda entre os segmentos do comércio
A retração mais intensa apareceu no setor de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com queda de 9,3%. O desempenho sugere cautela na aquisição de bens de maior valor, frequentemente ligados ao crédito ao consumidor e à renda disponível.
Também registraram recuo as vendas de livros, jornais, revistas e papelaria, com retração de 1,8%, além do segmento de combustíveis e lubrificantes, que caiu 1,3%. Já o grupo de móveis e eletrodomésticos permaneceu estável, com variação nula no período.
Essa distribuição reforça uma divisão clara entre setores ligados ao consumo cotidiano e aqueles associados a bens duráveis, mais sensíveis ao custo do financiamento e às expectativas econômicas.
Expansão do varejo brasileiro alcança quase todo o país
Na comparação anual, o desempenho do varejo brasileiro mostrou capilaridade territorial. O crescimento das vendas ocorreu em 26 das 27 unidades da federação, indicando disseminação do resultado pelo território nacional.
Entre os estados com maior avanço aparecem Pernambuco, com expansão de 11,4%, Rondônia, com 11,2%, e o Distrito Federal, com 6,9%. O espalhamento regional sugere que o consumo interno mantém alguma sustentação mesmo em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas.
O dado de janeiro coloca o varejo brasileiro em uma posição delicada para os próximos meses. Embora o resultado mensal tenha surpreendido, a concentração das altas em setores ligados ao consumo imediato e a queda expressiva em tecnologia indicam um padrão de expansão mais defensivo. Em outras palavras, o comércio varejista cresce, mas a composição das vendas sugere que o consumidor ainda privilegia gastos essenciais, um comportamento que pode definir o ritmo do setor ao longo de 2026.




