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Alta dos aluguéis corre acima da inflação enquanto compra de imóveis perde força no Brasil

Aluguéis seguem avançando acima da inflação e dos imóveis em 2026. Entenda por que a locação ganhou força e o que sustenta essa valorização.
Mão segura chave de imóvel em primeiro plano enquanto miniatura de casa e moedas aparecem ao fundo, simbolizando o mercado de aluguel residencial.
Alta dos aluguéis reflete a força da demanda por locação no mercado imobiliário brasileiro. (Foto: Reprodução)

O mercado imobiliário brasileiro segue mostrando uma dinâmica incomum em 2026. segundo o levantamento do FipZAP divulgado nesta semana. A alta dos aluguéis acumula 4,40% nos cinco primeiros meses do ano, resultado superior à inflação oficial de 3,20%, ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de 3,79% e também à valorização observada nos imóveis residenciais para venda.

O movimento indica que a pressão por moradia continua mais intensa no mercado de locação. Enquanto o crédito imobiliário permanece caro e limita a compra da casa própria, a demanda por aluguel segue sustentando reajustes acima dos demais indicadores do setor.

Em maio, os contratos de locação registraram alta de 0,85%, enquanto os preços de venda dos imóveis avançaram apenas 0,42%, segundo o Índice FipeZAP.

A diferença mostra que o mercado de aluguel está se valorizando em ritmo superior ao mercado de compra e venda, fenômeno que se repete desde o início do ciclo de juros elevados no país.

Alta dos aluguéis avança mais rápido que inflação e preços dos imóveis

A principal característica de 2026 é o descolamento entre os diferentes segmentos do mercado imobiliário.

Nos últimos 12 meses, os preços dos aluguéis acumularam valorização de 8,68%, praticamente o dobro da inflação oficial de 4,72% registrada no período.

O resultado também supera a evolução dos imóveis residenciais para venda, indicando que a maior pressão não está na aquisição de propriedades, mas na disputa por unidades disponíveis para locação.

A explicação para a alta do aluguel passa pelo financiamento imobiliário. Com crédito mais caro e condições mais restritivas para contratação, parte das famílias adiou a compra da casa própria e permaneceu no mercado de aluguel.

Esse movimento ampliou a demanda por locação justamente em um cenário em que a oferta não cresce na mesma velocidade, favorecendo reajustes mais elevados.

Nordeste concentra as maiores valorizações do mercado de locação

O avanço dos preços não ocorre de forma homogênea pelo país. Algumas capitais registram aumentos muito acima da média nacional.

Aracaju lidera o ranking de valorização em 2026, com alta acumulada de 15,24% entre janeiro e maio. Na sequência aparecem Campo Grande (11,58%), Manaus (11,40%), João Pessoa (7,09%), Rio de Janeiro (6,84%), Fortaleza (6,48%), Goiânia (5,96%) e Brasília (5,82%).

No acumulado de 12 meses, a liderança permanece com Aracaju, que registra avanço de 22,72%.

Também aparecem entre os maiores aumentos:

  • Teresina: 17,48%
  • Brasília: 14,90%
  • João Pessoa: 14,40%
  • Fortaleza: 12,33%

O desempenho das capitais nordestinas chama atenção porque sugere fatores adicionais além dos juros. Crescimento populacional, expansão econômica regional e maior atratividade turística ajudam a impulsionar a procura por moradia e sustentam a valorização dos contratos de aluguel.

Com alta dos aluguéis, investidores encontram rentabilidade enquanto famílias enfrentam custo maior

O cenário de valorização beneficia quem possui imóveis para locação. Segundo o FipeZAP, o retorno médio anual do aluguel residencial alcançou 6,11% ao ano em maio, mantendo o segmento entre as principais fontes de renda recorrente do mercado imobiliário.

Além disso, os imóveis de um dormitório apresentaram a maior rentabilidade, com yield médio de 6,77% ao ano. Entre as capitais, os maiores retornos por conta da alta dos aluguéis foram observados em:

  • Recife: 8,54% ao ano
  • Cuiabá: 8,31%
  • Belém: 8,29%
  • Manaus: 8,27%

A valorização também varia conforme o perfil do imóvel. Em maio, apartamentos de dois dormitórios registraram a maior alta mensal, de 1,09%. Já no acumulado de 12 meses, os imóveis de três dormitórios lideram os reajustes, com avanço de 9,69%.

Outro indicador da força da locação aparece nos preços anunciados. São Paulo continua com o aluguel mais caro entre as capitais monitoradas, com valor médio de R$ 64,67 por metro quadrado.

Na sequência aparecem:

  • Recife (R$ 63,64),
  • Belém (R$ 63,27),
  • Florianópolis (R$ 60,93)
  • e Rio de Janeiro (R$ 59,08).

Crédito caro continua sustentando a força do mercado de locação

Os dados do FipeZAP mostram que a alta dos aluguéis não representa apenas um movimento pontual de preços. Ela reflete uma mudança mais ampla na dinâmica do mercado imobiliário brasileiro.

Enquanto programas habitacionais continuam sustentando parte das vendas, o custo elevado do financiamento mantém muitos compradores potenciais fora do mercado. Como consequência, a procura por aluguel permanece elevada e concentra a pressão sobre os preços.

Por isso, os reajustes seguem acima da inflação e da valorização dos imóveis, mantendo o mercado de locação como um dos segmentos mais aquecidos do setor imobiliário em 2026.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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