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Energia solar e eólica superam gás natural e mudam a lógica da transição energética

Solar e eólica atingem um marco histórico ao superar o gás natural na geração elétrica global. Entenda o que muda para o mercado de energia e os investimentos do setor.
Parque de energia solar com turbinas eólicas ao fundo durante o pôr do sol, representando o avanço das fontes renováveis na geração elétrica.
Energia solar e eólica ultrapassaram o gás natural na geração elétrica global pela primeira vez, segundo relatório da Ember. (Foto: Ilustrativa)

A expansão da energia solar e eólica alcançou um novo patamar no sistema elétrico mundial. Pela primeira vez, a geração combinada das duas fontes superou a eletricidade produzida a partir do gás natural, sinalizando uma mudança relevante na dinâmica do setor energético.

O marco foi registrado pelo relatório Global Electricity Review 2026, divulgado pela Ember, organização internacional especializada em análise de dados do setor elétrico e da transição energética. O levantamento mostra que solar e eólica responderam por uma parcela maior da geração global do que o gás, combustível que durante anos foi tratado como peça central da transição energética.

Mais do que um recorde estatístico, o resultado sugere uma mudança econômica capaz de influenciar investimentos, planejamento energético e perspectivas de crescimento do mercado global de combustíveis fósseis.

Energia solar e eólica deixam de complementar e passam a disputar mercado

Durante boa parte da última década, o crescimento das fontes renováveis ocorreu em paralelo à expansão do gás natural. A lógica predominante era que ambas desempenhariam papéis complementares na redução do uso do carvão.

Esse equilíbrio começa a mudar. O avanço da energia solar e eólica passou a ocorrer em escala suficiente para absorver parcela crescente da demanda por eletricidade em diversos mercados.

Segundo a Ember, a combinação das duas fontes alcançou participação superior à do gás natural na geração elétrica global, resultado impulsionado principalmente pela expansão acelerada da energia solar.

A mudança ganha relevância porque o setor elétrico representa um dos principais destinos dos investimentos globais em infraestrutura energética. Quando novas fontes conquistam participação de mercado, elas também passam a disputar recursos financeiros antes direcionados a projetos convencionais.

Custos menores aumentam pressão sobre o gás natural

A competitividade econômica se tornou um dos principais motores da expansão da energia eólica e solar.

Nos últimos anos, a redução dos custos tecnológicos alterou a relação entre preço e geração elétrica em diversos países. Esse movimento foi acompanhado pelo avanço das baterias, que ampliam a capacidade de armazenamento da energia produzida.

Alguns fatores ajudam a explicar esse avanço:

  • Queda do custo dos painéis solares;
  • Aumento da eficiência das turbinas eólicas;
  • Expansão dos sistemas de armazenamento;
  • Crescimento da escala de produção global;
  • Maior interesse de investidores por ativos de baixo carbono.

O resultado é um cenário em que projetos renováveis conseguem competir não apenas por razões ambientais, mas também por critérios econômicos.

Essa transformação reduz parte da vantagem que o gás natural possuía como alternativa de menor emissão em comparação ao carvão.

Energia solar e eólica ganham espaço com alta da demanda elétrica

A mudança ocorre em um momento de forte expansão do consumo mundial de eletricidade.

A disseminação da inteligência artificial, dos veículos elétricos e dos data centers está elevando a necessidade de geração energética em diversos países. Por conta disso, as fontes renováveis, seja por meio de energia solar ou eólica, passaram a atender uma parcela cada vez maior dessa nova demanda.

A China ocupa papel central nesse processo. O país lidera a produção global de painéis solares, baterias e equipamentos ligados à transição energética, ampliando a escala da indústria e contribuindo para a redução dos custos internacionais.

Além disso, Brasil se apresenta como expoente na produção de energia eólica, seja através de investimentos, ou da produção recorde anos após ano.

O gás natural entra em uma fase de concorrência mais intensa

Na Europa, o avanço das renováveis já alterou a composição da matriz elétrica. Em diversos mercados, solar e eólica passaram a ocupar posição superior à de combustíveis fósseis tradicionais na geração de eletricidade.

O gás natural continua relevante para a segurança energética e para o equilíbrio dos sistemas elétricos. Ainda assim, o marco registrado pela Ember sugere uma mudança importante na dinâmica do setor, com uma concorrência cada vez maior das fontes renováveis pelo espaço ocupado pelo combustível na geração elétrica.

Mais do que um recorde estatístico, a liderança da energia solar e eólica indica uma transformação estrutural no setor elétrico mundial e reforça a pressão sobre um combustível que durante anos ocupou posição central na transição energética.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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