A recuperação judicial da Ambipar ganhou um novo capítulo após Bradesco, Banco do Brasil e Sumitomo recorrerem à Justiça dos Estados Unidos para contestar o plano de reestruturação financeira da companhia. Os bancos querem participar formalmente do Chapter 11 e evitar que credores estrangeiros concentrem o controle das decisões.
A disputa envolve uma dívida de R$ 10,5 bilhões e pode influenciar quem terá acesso aos ativos mais relevantes da Ambipar. A decisão será analisada pela Corte de Houston em audiência marcada para o próximo dia 22.
O caso passou a chamar atenção porque ultrapassa a renegociação de dívidas. O conflito agora envolve a distribuição de ativos, o poder de voto dos credores e o futuro da recuperação da companhia nos Estados Unidos e no Brasil.
Por que bancos brasileiros tentam entrar na recuperação judicial da Ambipar
Os bancos alegam que não foram devidamente comunicados sobre a abertura do Chapter 11 da Ambipar nem sobre o prazo para ingressar no processo americano, encerrado em fevereiro. Por esse motivo, pedem autorização para participar de forma tardia da recuperação.
O objetivo é garantir o direito de votar no plano de reestruturação e participar da distribuição dos ativos eventualmente transferidos aos credores. Na avaliação das instituições financeiras, a ausência delas no processo pode comprometer o equilíbrio entre os diferentes grupos envolvidos na recuperação.
A Caixa Econômica Federal também acionou a Corte americana. A instituição atua como debenturista e busca preservar sua posição em uma negociação que envolve aproximadamente R$ 1,75 bilhão em títulos emitidos pela Ambipar.
O que os bondholders podem ganhar com o plano atual
O principal foco da disputa está nos bondholders, investidores que detêm títulos de dívida emitidos pela companhia no mercado internacional.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o acordo negociado pela Ambipar prevê a transferência de subsidiárias americanas aos credores externos em troca da liquidação de parte das obrigações financeiras. Entre os ativos citados está a Ambipar Response, considerada uma das operações mais relevantes do grupo.
A distribuição da dívida ajuda a explicar o peso dos investidores estrangeiros nas negociações:
- Bondholders: cerca de R$ 5,4 bilhões
- Debenturistas: aproximadamente R$ 3 bilhões
- Bancos credores: cerca de R$ 2 bilhões
Como os bondholders concentram mais da metade do passivo, possuem força suficiente para aprovar qualquer proposta submetida à assembleia de credores. Esse cenário alimenta a preocupação dos bancos e debenturistas brasileiros, que afirmam ter sido deixados de fora das negociações iniciais.
Como a decisão da Justiça americana pode mudar a recuperação judicial da Ambipar
A audiência marcada para 22 de junho pode redefinir o equilíbrio de forças entre os credores da companhia.
Os bancos sustentam que a consolidação substancial adotada na recuperação judicial brasileira reúne as dívidas das empresas do grupo em um único processo. Com base nesse entendimento, defendem que também possuem direito de participar dos créditos e ativos vinculados ao procedimento americano.
Se a Corte aceitar o pedido, os bancos poderão ganhar espaço na votação do plano de recuperação da Ambipar e ampliar sua influência sobre a destinação dos ativos envolvidos na negociação. Caso o pedido seja rejeitado, os bondholders tendem a manter posição dominante na definição dos próximos passos da reestruturação.
O desfecho também será observado por investidores e empresas endividadas no exterior. A decisão poderá servir de referência para futuras recuperações judiciais envolvendo grupos brasileiros com forte presença no mercado internacional de dívida.
Mais do que uma disputa processual, o julgamento da Ambipar indicará quem terá poder para definir o destino de uma das maiores reestruturações corporativas em andamento no país e como serão distribuídas as perdas entre credores locais e estrangeiros.




