As vendas no varejo registraram queda de 1,5% em abril de 2026 frente ao mês anterior, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, divulgado nesta terça-feira (16/06), interrompe a alta observada em março e revela uma perda de fôlego do consumo em parte importante da economia brasileira.
O movimento também apareceu no varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado de alimentos. Nesse recorte, a retração foi de 0,7% na comparação mensal.
Embora o acumulado de 2026 continue positivo, a queda de abril sugere que o avanço do consumo perdeu intensidade após os resultados mais fortes observados no primeiro trimestre.
Vendas no varejo mostram mudança no ritmo da atividade
A leitura mais relevante do relatório não está apenas na queda mensal. O resultado ocorre depois de uma sequência de avanços que havia levado o setor a níveis mais elevados de atividade.
Na comparação com abril de 2025, o varejo ainda cresceu 1,0%, enquanto o acumulado do ano permaneceu positivo em 2,0%.
Mesmo assim, a diferença entre os indicadores anuais e o desempenho recente mostra que a recuperação do comércio perdeu velocidade. Isso costuma ser acompanhado de perto porque o consumo das famílias representa uma das principais engrenagens do crescimento econômico e das vendas no varejo.
O cenário também sugere um ambiente mais seletivo para os gastos, especialmente em segmentos que dependem de maior confiança e disponibilidade de renda.
Supermercados resistem enquanto compras não essenciais enfraquecem
O segmento de supermercados avançou 1,3% na comparação com março, completando, assim, sete meses seguidos de crescimento na comparação anual. Em direção oposta, setores tradicionalmente mais sensíveis às condições financeiras das famílias perderam força:
- Combustíveis e lubrificantes: -6,2%;
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -4,6%;
- Equipamentos de informática e comunicação: -4,5%;
- Material de construção: -3,6%.
A diferença entre esses grupos ajuda a explicar a natureza da desaceleração nas vendas no varejo observada pelo IBGE. Isso porque o enfraquecimento não ocorreu nos itens de necessidade imediata em segmentos normalmente associados a maior confiança do consumidor e maior disposição para assumir despesas que podem ser adiadas.
Mais do que uma retração generalizada do consumo, os dados apontam para uma mudança de prioridades dentro do orçamento das famílias. O resultado sugere que despesas essenciais continuam sustentando parte da atividade, enquanto compras de maior valor ou menor urgência encontram um ambiente mais desafiador para crescer.
O que a queda do comércio varejista pode indicar para a economia
O resultado das vendas no varejo em abril, isoladamente, não determina uma mudança de tendência para a economia brasileira. Ainda assim, ele oferece sinais relevantes sobre o comportamento da demanda doméstica.
O movimento também apresentou alcance regional amplo. Segundo o IBGE, 20 das 27 unidades da federação registraram retração nas vendas em abril. Entre as quedas mais intensas estiveram:
- Piauí: -3,9%;
- Goiás: -3,8%;
- Santa Catarina: -3,6%;
- Amazonas: –3,6%.
Vendas no varejo e os sinais para os próximos meses
Esse quadro reduz a percepção de que o resultado tenha sido provocado por um evento isolado ou restrito a uma região específica do país.
Se os próximos levantamentos do IBGE confirmarem esse comportamento, as vendas no varejo poderão se consolidar como um dos primeiros sinais de moderação do consumo das famílias ao longo do segundo trimestre, ainda que o acumulado do ano permaneça positivo.




