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Morte de Sérgio Silbel Reis encerra trajetória de um dos criadores da publicidade moderna no Brasil

A morte de Sérgio Reis, aos 87 anos, reacende o debate sobre o legado das campanhas que atravessaram gerações. Criador de slogans históricos do Bamerindus e do Bicho do Paraná, ele ajudou a moldar a publicidade brasileira e deixou marcas que permanecem vivas na memória coletiva.
Retrato do publicitário Sérgio Reis, criador de campanhas históricas como Bicho do Paraná e do slogan "O tempo passa, o tempo voa".
Sérgio Reis morreu aos 87 anos e deixou um legado que marcou a publicidade brasileira por décadas. (Foto: Reprodução)

No último sábado (12/06) morreu o publicitário e executivo de marketing Sérgio Silbel Soares Reis, aos 87 anos, encerrando a trajetória de um dos nomes mais influentes da publicidade brasileira. Responsável por campanhas que ultrapassaram os limites da propaganda comercial, ele ajudou a criar mensagens que permaneceram vivas na memória coletiva por décadas.

O publicitário construiu sua carreira principalmente no extinto Bamerindus, onde participou da criação de campanhas que se transformaram em referências nacionais. Entre elas estão o Bicho do Paraná, Gente Que Faz e o slogan “O tempo passa, o tempo voa”, um dos mais lembrados da história da comunicação no país.

A repercussão de sua morte mostra que seu legado vai além do marketing. Muitas das campanhas associadas ao seu nome continuam reconhecidas mesmo décadas após sua criação e, em alguns casos, sobreviveram às próprias marcas que ajudaram a promover.

Antes mesmo de ocupar posições de destaque em empresas, instituições de ensino e órgãos públicos, Sérgio Reis já defendia uma visão de comunicação baseada na construção de identidade e vínculo emocional com o público. Essa característica ajudou a transformar campanhas publicitárias em símbolos culturais.

Sérgio Reis ajudou a construir algumas das campanhas mais lembradas do país

Grande parte da trajetória de Sérgio Reis esteve ligada ao antigo Bamerindus, banco que faliu em 1997 e instituição onde permaneceu por cerca de 25 anos. No banco, criou a Diretoria de Marketing e comandou a agência interna Umuarama Publicidade.

Foi nesse período que surgiram campanhas que marcaram uma geração de consumidores brasileiros.

Entre os trabalhos mais conhecidos estão:

  • Bicho do Paraná;
  • Gente Que Faz;
  • O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa.

O impacto dessas campanhas não pode ser medido apenas pelos resultados comerciais alcançados na época. Muitas delas permaneceram presentes no imaginário popular mesmo após mudanças profundas no mercado financeiro e o desaparecimento do próprio Bamerindus.

Esse nível de permanência ajudou a transformar Sérgio Reis em uma referência para profissionais de publicidade, marketing e comunicação em todo o país.

O legado ultrapassou a propaganda e alcançou educação, cultura e gestão pública

A influência de Sérgio Reis não ficou restrita ao setor publicitário. Em 1976, a Umuarama Publicidade conquistou um Leão de Ouro em Cannes, uma das maiores premiações da publicidade mundial. O reconhecimento consolidou seu nome entre os principais profissionais brasileiros da área.

Ao longo da carreira, também atuou como professor, consultor e executivo. Foi vice-presidente da Editora Abril, integrou o Conselho Deliberativo da ESPM e participou de iniciativas voltadas ao desenvolvimento cultural do Paraná.

Sua atuação alcançou ainda a administração pública. Durante o primeiro mandato de Mário Covas no governo de São Paulo, assumiu a Secretaria de Comunicação e participou da coordenação da campanha de reeleição do governador.

Essa diversidade de experiências ampliou sua influência para além do universo da propaganda e contribuiu para formar novas gerações de profissionais da comunicação.

A despedida de Sérgio Reis relembra uma era de forte impacto cultural da publicidade

Nas últimas décadas, a publicidade passou por profundas transformações. A fragmentação da audiência e a multiplicação dos canais digitais reduziram o espaço para campanhas capazes de alcançar toda a população simultaneamente.

Nesse contexto, o legado deixado por Sérgio Reis ganhou um significado ainda maior.

Suas campanhas surgiram em um período em que marcas buscavam construir reconhecimento de longo prazo e criar mensagens capazes de permanecer na memória do público por muitos anos. O resultado foi a criação de slogans e conceitos que continuaram sendo lembrados muito depois de suas veiculações originais.

A morte de Sérgio Reis encerra a trajetória de um profissional que ajudou a moldar a comunicação brasileira e deixa como herança algumas das campanhas mais marcantes da história da publicidade nacional. Seu trabalho permanece como exemplo de uma época em que criatividade, identidade regional e construção de marca se combinavam para produzir mensagens capazes de atravessar gerações.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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