A exportação de cacau brasileiro e de produtos derivados acumulou US$ 927,9 milhões entre 2021 e 2025, avanço de 86,1% em mercados analisados. Os dados constam no estudo “Acesso a Mercado Cacau e Chocolate”, elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), e divulgado pelo Infomoney nesta sexta-feira (13/03).
O levantamento mostra que a expansão ocorreu tanto em derivados industriais quanto em chocolates processados. Ao todo, cacau e derivados responderam por US$ 694,1 milhões, enquanto chocolates somaram US$ 240,2 milhões no período analisado.
Exportação de cacau brasileiro ganha escala na indústria
Os números se apresentam mesmo em um mercado de cacau instável e com quedas constantes. Entre os produtos, o maior faturamento veio da manteiga e do óleo de cacau, que registraram US$ 452,8 milhões em exportações. Na sequência aparece o cacau em pó sem açúcar, com US$ 205,5 milhões no período.
Além da exportação de cacau brasileiro, outros segmentos também avançaram. As vendas externas de chocolate e preparações alimentícias com cacau recheadas cresceram 340%, enquanto preparações alimentícias com até 40% de cacau subiram 129,7%. A pasta de cacau desengordurada dobrou de valor exportado.
Segundo Igor Gomes, coordenador de Acesso a Mercado da ApexBrasil, parte do avanço decorre da evolução da cadeia produtiva nacional. Para ele, o setor passou a disputar espaço em segmentos de maior valor agregado no comércio internacional.
Mercado internacional do cacau pressiona preços
O cenário global também ampliou o valor das exportações de cacau brasileiro. A cotação da commodity cacau registrou forte valorização nos últimos anos devido a quebras de safra em países produtores e ao aumento do custo de insumos.
Na Bolsa de Nova York, a tonelada da amêndoa permaneceu entre US$ 2 mil e US$ 3 mil até outubro de 2023. Em abril de 2024, o preço alcançou cerca de US$ 10 mil por tonelada. No final daquele ano, a cotação chegou a US$ 12,5 mil, uma das maiores valorizações entre matérias-primas agrícolas.
Mesmo com influência dos preços do cacau, Gomes afirma que o avanço não depende apenas da alta da commodity. Segundo ele, a renovação das lavouras e o calendário produtivo brasileiro permitem atender mercados em períodos nos quais outros países enfrentam queda de oferta.
Exportação de cacau brasileiro amplia presença nos mercados
Os Estados Unidos lideraram o crescimento recente das compras. Entre 2024 e 2025, as exportações brasileiras para o país avançaram 60,8%, segundo o estudo da ApexBrasil.
O mercado norte-americano oferece vantagem tarifária. O cacau e a manteiga de cacau entram com tarifa zero, enquanto derivados específicos enfrentam taxas menores, próximas de US$ 0,52 por quilo.
Na União Europeia, por outro lado, os produtos enfrentam encargos maiores. Derivados podem pagar até 9,6%, enquanto chocolates chegam a 13,4%, além de tarifas intracota que alcançam 38%.
Caso o acordo Mercosul–União Europeia entre plenamente em vigor, as tarifas devem cair gradualmente até chegar a zero em um prazo estimado de dez anos. Nesse cenário, a exportação de cacau brasileiro tende a ganhar ainda mais espaço em mercados de maior valor agregado.





