O Mercado de cacau entrou em território de mínima de quase três anos após perder mais de 35% em apenas três semanas. Em Londres, o contrato fechou a 2.057 libras por tonelada, depois de tocar 2.046 libras, menor nível desde 2023. Em Nova York, a referência caiu para US$ 2.888. A sequência expõe um ajuste profundo na curva de contratos futuros.
Além da queda acumulada, o recuo semanal superou 9% nas duas praças. A pressão não decorre apenas de especulação. O pano de fundo combina estoques elevados, desaceleração do consumo e expectativa de superávit global na temporada 2025/26. A leitura do fluxo físico, contudo, revela um fator estrutural que vai além do curto prazo.
Mercado de cacau enfrenta excedente e mudança no consumo
A Hedgepoint Global Markets projeta excedente de 365 mil toneladas na safra 2025/26. O volume amplia a oferta disponível em relação à demanda prevista. Países como Costa do Marfim, Gana e também o Brasil registram acúmulo de produto, ampliando a pressão sobre a cotação internacional.
Ao mesmo tempo, parte da retração reflete erosão permanente do consumo. Fabricantes vêm reduzindo o teor de cacau e substituindo por ingredientes alternativos. Essa reformulação altera o equilíbrio do mercado futuro, pois diminui a necessidade de recomposição de estoques pelas indústrias de chocolate. Para além do ajuste imediato, surge uma questão sobre o padrão estrutural de demanda.
Café e açúcar reforçam ambiente de oferta ampla
O enfraquecimento não se limita ao cacau. O café arábica caiu para US$ 2,8075 por libra, enquanto os estoques na ICE subiram para 466.055 sacas. A expectativa de safra robusta no Brasil amplia a sensação de oferta agrícola confortável.
No açúcar, a Organização Internacional do Açúcar projeta superávit de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26. O contrato bruto encerrou a 14,30 centavos por libra. O conjunto das commodities agrícolas sinaliza reequilíbrio após ciclos anteriores de restrição. A convergência desses mercados reforça a leitura de ajuste coordenado nas cadeias tropicais.
O mercado de cacau, portanto, deixa de operar sob narrativa de escassez e passa a refletir excedente e mudança no padrão de consumo. Se a indústria consolidar fórmulas com menor teor do fruto, o piso de preços pode ser redefinido. Para produtores e tradings, o desafio agora é administrar margens em um cenário de abundância, no qual eficiência operacional passa a ditar competitividade.





