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Perícia revela acordo de US$ 5 milhões em escândalo de criptomoeda argentina ligado a Milei

O escândalo da criptomoeda argentina ganhou novo capítulo após perícia encontrar registro que menciona um acordo de US$ 5 milhões ligado ao lançamento do ativo digital $LIBRA promovido por Javier Milei. A Justiça investiga possível impacto da postagem no mercado cripto. Saiba mais.
Javier Milei diante do logotipo da criptomoeda Libra em imagem editorial sobre investigação na Argentina
Registro encontrado no celular de um lobista menciona um suposto acordo de US$ 5 milhões ligado ao lançamento da criptomoeda Libra promovida por Javier Milei. (Foto: Ilustrativa)

O escândalo da criptomoeda argentina ganhou um novo elemento após a divulgação de registros que mencionam um suposto acordo de US$ 5 milhões relacionado ao lançamento do ativo digital $LIBRA, projeto que chegou a ser promovido nas redes sociais pelo presidente da Argentina, Javier Milei.

Segundo reportagem do jornal argentino Clarín, o conteúdo apareceu durante a perícia no telefone do lobista Mauricio Novelli, apontado como intermediário entre integrantes do governo e o empresário do setor cripto Hayden Davis, ligado ao desenvolvimento da criptomoeda.

Escândalo da criptomoeda argentina envolve registro encontrado em celular

Segundo o jornal, a perícia encontrou o texto em um bloco de notas no iPhone de Mauricio Novelli, peça que passou a integrar as apurações sobre o escândalo da criptomoeda argentina. Novelli registrou o conteúdo em 11 de fevereiro de 2025, poucos dias antes de Javier Milei publicar nas redes sociais uma mensagem mencionando o projeto da moeda digital.

O conteúdo, redigido em inglês, descreve um suposto acordo dividido em três parcelas que, somadas, chegariam a US$ 5 milhões.

A primeira etapa mencionaria US$ 1,5 milhão, valor que os responsáveis pelo acordo poderiam pagar em dinheiro ou em tokens digitais. Uma segunda parcela do mesmo valor estaria vinculada ao anúncio público de Hayden Davis como assessor em temas ligados à blockchain.

Já o terceiro ponto citaria US$ 2 milhões relacionados a um possível contrato de consultoria envolvendo tecnologia blockchain e inteligência artificial para o governo argentino ou diretamente para Milei. Segundo o Clarín, o registro não indica quem seria o destinatário final desses valores.

Crise da moeda digital começou após promoção do projeto

O escândalo envolvendo a criptomoeda argentina $LIBRA começou quando Milei publicou uma mensagem na rede social X mencionando o projeto. A postagem foi apagada pouco depois de ir ao ar.

Dados públicos da blockchain, analisados posteriormente por empresas especializadas, indicam que desenvolvedores do projeto criaram o ativo digital minutos antes da publicação presidencial. Após a mensagem gerar forte interesse no mercado de criptomoedas, o preço do ativo registrou valorização rápida, seguida por uma queda abrupta horas depois.

Esse comportamento levantou suspeitas de possível manipulação de mercado, prática associada ao chamado rug pull. Trata-se, portanto, de um esquema no qual criadores elevam artificialmente o preço de um ativo digital antes de abandonar o projeto.

Saiba mais sobre o escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA

Escândalo da criptomoeda argentina amplia investigação sobre Milei

Análises conduzidas por empresas de inteligência de blockchain indicam que cerca de 80% dos tokens emitidos estavam concentrados em uma única carteira digital. Segundo a plataforma Lookonchain, endereços associados ao projeto movimentaram aproximadamente US$ 107,3 milhões, dados que passaram a integrar o material examinado pelas autoridades.

A Justiça argentina agora busca determinar se a publicação feita por Javier Milei teve influência direta na valorização inicial do ativo digital. Além disso, se houve algum tipo de benefício financeiro para o presidente ou integrantes de sua equipe.

O governo argentino nega envolvimento no projeto. Ainda assim, autoridades confirmaram que Milei e membros de sua equipe se reuniram anteriormente com desenvolvedores da criptomoeda $LIBRA, encontro que passou a integrar as apurações sobre o escândalo da criptomoeda argentina.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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