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Colheita de soja do Brasil avança, mas atraso ainda marca a safra 2025/26

A colheita de soja do Brasil atingiu 61% da área cultivada, segundo a AgRural. Apesar do avanço semanal, o ritmo ainda fica abaixo do ano passado e o clima irregular já afeta lavouras tardias e o calendário do milho safrinha. Saiba mais.
Colheita de soja do Brasil com grãos sendo descarregados por máquina agrícola durante a safra
Avanço da colheita de soja do Brasil ocorre em meio a desafios climáticos e reflexos no calendário do milho safrinha (Foto: Reprodução)

A colheita de soja do Brasil alcançou 61% da área cultivada até a última quinta-feira (13/03), segundo levantamento divulgado pela consultoria AgRural nesta segunda-feira (16/03). O índice representa avanço em relação aos 51% registrados uma semana antes, mas ainda permanece abaixo dos 70% observados no mesmo período do ano passado.

Embora os trabalhos tenham acelerado nos últimos dias, o ritmo da safra segue o mais lento desde o ciclo 2020/21, de acordo com avaliação da consultoria. Diante desse cenário, a atenção de analistas e produtores passou a se concentrar nas lavouras tardias e nos efeitos do clima irregular sobre a produtividade e a qualidade dos grãos.

Colheita de soja do Brasil avança, mas clima divide regiões

O cenário climático tem afetado as lavouras de forma distinta pelo país. No Rio Grande do Sul, produtores ainda lidam com efeitos da estiagem prolongada, que já provocou perdas em áreas de cultivo, influenciando todo o desempenho da agropecuária no início de 2026.

Segundo a AgRural, as chuvas registradas na última semana no Estado foram leves e isoladas. A consultoria afirmou que esse volume não foi suficiente para recompor adequadamente a umidade do solo. Uma condição, nesse caso, considerada essencial para a fase final de desenvolvimento das plantas na colheita de soja do Brasil

Ao mesmo tempo, o avanço da colheita mecanizada, o desempenho das lavouras tardias e a expectativa de produtividade agrícola seguem sendo monitorados por tradings e agentes do mercado de grãos.

Safra brasileira enfrenta clima irregular nas áreas tardias

Enquanto o Sul enfrenta déficit hídrico, regiões do Norte e Nordeste registraram um quadro oposto. Nessas áreas, o excesso recente de chuvas elevou o nível de umidade dos grãos, o que dificulta tanto a retirada da produção do campo quanto o recebimento da soja nos armazéns.

De acordo com a AgRural, apesar de as precipitações terem diminuído recentemente, os produtores ainda enfrentam desafios logísticos relacionados ao armazenamento agrícola. Assim como à secagem da soja e à operação das estruturas de armazenagem após colheita de soja do Brasil

Essas condições ampliam o período necessário para conclusão da safra em algumas regiões produtoras. E, além disso, podem afetar a qualidade final da produção destinada à exportação de soja e ao abastecimento da cadeia agroindustrial. Fator já prejudicado pela alta do diesel, levando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a pedir corte de tributos sobre combustível.

Colheita de soja do Brasil pressiona janela do milho

O avanço mais lento da colheita de soja do Brasil também começa a repercutir diretamente no calendário da segunda safra de milho. No centro-sul do país, o plantio do milho safrinha chegou a 91% da área estimada, ante 82% na semana anterior, segundo levantamento da AgRural.

Nesse contexto, o atraso acumulado ainda aparece na área que permanece semeada. Cerca de 1,3 milhão de hectares ainda precisavam ser plantados no centro-sul, volume bem superior ao observado no mesmo momento do ciclo anterior, quando restavam aproximadamente 500 mil hectares.

Por esse motivo, analistas do agronegócio brasileiro acompanham de perto o avanço da colheita de soja do Brasil, já que o ritmo dessa etapa continuará influenciando o calendário do milho e o equilíbrio da oferta global de grãos nas próximas semanas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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