O preço do diesel acumulou alta de quase 20% em março e já supera o ritmo do último reajuste anunciado pela Petrobras. O avanço nas bombas ocorre em paralelo à elevação do petróleo e expõe uma distorção que vai além da tributação.
Além disso, a aceleração dos reajustes ao longo do mês indica perda de controle sobre a formação de preços no curto prazo. Na prática, o combustível mais usado no transporte passa a refletir pressões externas que não são absorvidas por medidas domésticas. A investigação, contudo, esbarra em um detalhe técnico que amplia o problema.
Defasagem cria barreira para importação e trava oferta
A diferença entre os preços praticados no Brasil e no mercado internacional chegou a mais de 50%, segundo importadores. Esse descompasso reduz o interesse em trazer diesel ao país, já que o produto chega mais caro do que o valor vendido internamente.
Como cerca de 30% do consumo depende de importações, essa distorção afeta diretamente a reposição de estoques. Segundo Sérgio Araujo, da Abicom, o diesel importado chega até R$ 2,50 acima do valor da Petrobras. Para além do prejuízo imediato, o cenário revela uma fragilidade estrutural na política de preços.
Mercado à vista sente primeiro os sinais de restrição
Os primeiros efeitos aparecem no chamado mercado spot, onde clientes sem contratos de longo prazo já enfrentam recusa de pedidos. Distribuidoras começam a limitar volumes, atingindo postos independentes e empresas de menor porte.
Pedidos vêm sendo negados e que a disponibilidade piora diariamente. O quadro já inclui redução de entregas até para contratos firmados, sinalizando um desequilíbrio mais amplo entre oferta e demanda.
Tributação perde força diante da pressão externa
A tentativa de conter o avanço com desoneração de PIS e Cofins teve efeito limitado. Com o ICMS fixado em R$ 1,17 por litro, o peso dos tributos diminui em momentos de alta do petróleo, reduzindo o impacto de medidas fiscais.
O diesel hoje responde mais a variáveis macroeconômicas do que tributárias. A proposta de zerar ICMS sobre importações pode aliviar parte da diferença, mas não altera o núcleo do problema.
Preço do diesel revela dependência e exige ajuste estrutural
O preço do diesel expõe uma dependência crescente do mercado externo combinada a uma política de preços desalinhada. Sem ajuste que recoloque o Brasil próximo da paridade internacional, a tendência é de menor entrada de produto e maior pressão nas bombas.
Esse quadro reposiciona o debate sobre o papel da Petrobras e a previsibilidade do abastecimento. Em um ambiente de petróleo elevado e importação retraída, o risco deixa de ser apenas inflacionário e passa a atingir diretamente a segurança energética, com efeitos que se espalham por toda a economia.





