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Acordo entre Brasil e China muda regra para exportação de soja

O acordo entre Brasil e China flexibiliza regras sanitárias da exportação de soja após devolução de navios, reduz entraves e abre nova fase de negociações técnicas bilaterais.
acordo entre Brasil e China na exportação de soja
Flexibilização sanitária ocorre após devolução de navios brasileiros com cargas de soja destinadas à China (Imagem: Ilustrativa)

Um acordo entre Brasil e China entrou em vigor nesta segunda-feira (23/03), após os dois países ajustarem exigências sanitárias para destravar embarques de soja afetados por barreiras recentes. A decisão ocorre depois da devolução de cerca de 20 navios brasileiros, que não atenderam aos critérios aplicados pelo mercado chinês.

Na prática, o entendimento elimina a exigência de tolerância zero para a presença de plantas daninhas nas cargas. Com isso, carregamentos que antes seriam barrados passam a ser avaliados por critérios menos rígidos, enquanto novas regras ainda serão discutidas entre as autoridades.

Acordo entre Brasil e China ocorre após entraves recentes

O impasse ganhou força nas últimas semanas, quando cargas foram impedidas de entrar na China por falhas nas inspeções. O volume afetado variou entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas, em um momento sensível para o fluxo logístico do agronegócio.

Além disso, empresas como a Cargill chegaram a cancelar embarques diante da incerteza sobre a liberação das cargas. Sem o certificado fitossanitário, as tradings ficam impedidas de concluir as entregas e receber pelos contratos, segundo análise de especialistas do mercado.

Diante desse cenário, autoridades brasileiras iniciaram negociações diretas com o governo chinês. Segundo documento oficial do acordo entre Brasil e China, o país asiático aceitou revisar o padrão adotado, reconhecendo que a política anterior dificultava a entrada da soja brasileira.

Flexibilização sanitária no comércio agrícola

Apesar da flexibilização sanitária, a inspeção fitossanitária, que verifica a presença de pragas ou contaminantes, continua obrigatória. Portanto, a mudança abre espaço para uma avaliação baseada em risco, e não mais em exclusão automática das cargas.

Ainda não há definição de um limite numérico para a tolerância. Esse ponto deve ser tratado em reuniões bilaterais ao longo da semana, com participação de representantes das áreas técnica e comercial dos dois países.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas reconheceu que as preocupações chinesas são legítimas. Segundo ele, o governo pretende avançar na construção de um protocolo específico para o comércio do grão.

Próximos desdobramentos do acordo entre Brasil e China

O histórico do problema remonta ao fim do ano passado, quando autoridades chinesas relataram a presença de materiais considerados inadequados nas cargas brasileiras. Desde então, o Brasil intensificou as inspeções e endureceu a emissão de certificados.

Essa postura, no entanto, ampliou o risco operacional no pico da safra, período em que o país concentra grande parte dos embarques para a China, destino de cerca de 80% da soja exportada.

Agora, o acordo entre Brasil e China reduz a pressão imediata sobre o fluxo comercial, mas mantém aberto um ponto sensível: a definição de padrões técnicos comuns. O avanço dessas negociações tende a influenciar não apenas a logística de curto prazo. Além da previsibilidade das exportações brasileiras de soja em um mercado altamente dependente de critérios sanitários.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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