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Liquidação do Banco Pleno: FGC inicia pagamento a credores

A liquidação do Banco Pleno avançou com o início do pagamento do FGC a investidores. Valores de até R$ 250 mil podem ser solicitados via app. Excedentes entram na massa liquidada e dependem de processo mais longo para recuperação. Saiba mais.
iquidação do Banco Pleno e pagamento do FGC a investidores
Banco Pleno teve liquidação decretada em fevereiro e entrou na fase de pagamento pelo FGC em março (Foto: Divulgação)

A liquidação do Banco Pleno avançou nesta segunda-feira (23/03) com o início do pagamento das garantias pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), liberando recursos para cerca de 152 mil investidores. A nova etapa ocorre pouco mais de um mês após a intervenção do Banco Central.

A autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de fevereiro de 2026, após identificar deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias. Desde então, o banco teve suas operações interrompidas e passou a um processo de encerramento ordenado, com foco no pagamento de credores.

Liquidação do Banco Pleno e acesso ao ressarcimento

Com o avanço da liquidação extrajudicial do Banco Pleno, o FGC assume o pagamento dos valores garantidos dentro das regras do sistema. Para acessar os recursos, o investidor precisa seguir um processo digital e atender aos critérios de cobertura.

Veja como funciona:

  • Limite de cobertura: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo principal e rendimentos até a data da liquidação
  • Data de corte: 18 de fevereiro de 2026; após isso, os valores ficam congelados, sem novos rendimentos
  • Produtos cobertos: conta-corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA
  • Fora da garantia: Letras Financeiras (LFs) não entram na cobertura e seguem para a massa liquidada
  • Excedente ao teto: valores acima de R$ 250 mil entram como crédito no processo de liquidação e dependem de venda de ativos
  • Solicitação obrigatória: o pagamento não é automático e exige pedido formal

Além disso, para solicitar o valor, investidores devem:

  • Baixar o app do FGC
  • Realizar cadastro com dados pessoais
  • Indicar conta bancária de mesma titularidade
  • Validar o pedido com biometria facial e assinatura digital
  • Acompanhar notificações até a liberação do valor

Segundo o FGC, sem essa solicitação o pagamento não é processado, o que exige atenção ativa do investidor durante o processo.

Relação com o caso Banco Master

A liquidação do Banco Pleno ocorre em um ambiente já pressionado pelo caso Banco Master, que ampliou a atuação do FGC nos últimos meses. O banco é controlado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e chegou a integrar o conglomerado do grupo antes da separação em 2025.

No caso do Banco Master, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025, o que deu início a um dos maiores ciclos recentes de pagamentos do FGC. A dimensão da operação ampliou o volume de recursos liberados e exigiu maior capacidade operacional do fundo.

A respeito do pagamento aos credores do Banco Master, dados do próprio FGC indicam que:

  • 689 mil pessoas já receberam pagamentos ligados ao conglomerado
  • Isso representa 89% dos credores atendidos
  • R$ 39 bilhões já foram desembolsados
  • O valor corresponde a 96% do total previsto

Esse histórico recente, inclusive, ajuda a explicar a velocidade da liberação no caso do Banco Pleno, já dentro de um fluxo operacional em andamento.

Liquidação do Banco Pleno e o que muda para investidores

Por fim, a liquidação do Banco Pleno reforça um padrão recente no sistema financeiro: bancos de menor porte com histórico de risco elevado acabam transferindo ao FGC a responsabilidade pelo ressarcimento de investidores.

O mecanismo garante liquidez imediata até o teto protegido. Porém, expõe limitações claras para valores acima da cobertura, que passam a depender de processos longos e incertos dentro da massa liquidada.

Nesse cenário, o episódio tende a influenciar decisões futuras de alocação, sobretudo em produtos de renda fixa com retorno elevado, onde o risco de crédito volta a ganhar peso na análise do investidor.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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