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Investimento em mineração no Brasil reposiciona país no ranking global

O investimento em mineração no Brasil ganha tração após avanço em ranking global, impulsionado por melhora regulatória e potencial mineral, embora desafios internos ainda limitem novos projetos.
investimento em mineração no Brasil em área de extração mineral
Brasil melhora posição global e atrai atenção para novos projetos no setor mineral (Imagem: Reprodução)

O investimento em mineração no Brasil ganhou novo impulso nesta terça-feira (24/03), após o país saltar da 56ª para a 19ª posição no ranking global do Fraser Institute, divulgado pela CNN Brasil, entre 68 jurisdições avaliadas. A mudança reposiciona o ambiente de negócios do setor mineral brasileiro no radar internacional.

O avanço ocorre em um cenário de disputa global por matérias-primas usadas em baterias, energia renovável e tecnologia avançada. Nesse contexto, o Brasil passa a ser visto por agentes do setor como uma alternativa fora dos polos tradicionais, segundo avaliação recorrente entre executivos da indústria.

Por que o investimento em mineração no Brasil subiu no ranking global

A melhora no ranking reflete uma combinação de fatores estruturais. Executivos passaram a avaliar de forma mais positiva tanto o potencial geológico quanto o ambiente institucional. Isso inclui regras, tributação e maior previsibilidade para projetos de longo prazo.

Além disso, a percepção de risco regulatório diminuiu, o que tende a influenciar decisões de alocação de capital, segundo análises do setor. O país também avançou no indicador ligado à qualidade das reservas, passando a figurar entre áreas com maior capacidade de oferta de minerais críticos.

O fator econômico, inclusive, é outro forte indicador. No Nordeste, só em 2024, minerais críticos movimentaram cerca de R$ 11 bilhões, de acordo com o Banco do Nordeste (BNB).

Potencial mineral e ambiente regulatório mudam a leitura do mercado

Paralelamente ao investimento em mineração no Brasil que cresce, o governo federal tenta estruturar uma política voltada aos insumos estratégicos. O Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) criou um grupo de trabalho para estruturar a política de minerais estratégicos e ampliar a atuação do país além da extração.

A proposta envolve fortalecer etapas como processamento mineral, cadeias produtivas e fabricação de componentes ligados à transição energética. A leitura interna, portanto, é que agregar valor pode reduzir a dependência da exportação de commodities minerais.

No Congresso, um projeto em discussão propõe um novo marco para o setor. Entre os instrumentos estão um fundo garantidor, medidas para reduzir risco de financiamento e maior previsibilidade no licenciamento ambiental, apontado por empresas como entrave relevante.

O que ainda trava o investimento em mineração no Brasil

Porém, apesar do avanço na percepção externa, o ambiente doméstico ainda apresenta obstáculos. Divergências dentro do governo sobre incentivos fiscais e pressões de grupos ambientalistas têm atrasado definições regulatórias.

Esse cenário afeta principalmente projetos em estágio inicial, onde o risco é mais elevado. Empresas avaliam que a falta de clareza nas regras amplia custos e dificulta a tomada de decisão em novos empreendimentos, segundo análises recorrentes do setor.

No cenário internacional, a concentração da produção em poucos países tem levado governos a buscar diversificação de fornecedores e maior segurança de suprimento. Nesse contexto, o investimento em mineração no Brasil passa a integrar uma agenda mais ampla de reorganização das cadeias globais. A capacidade de transformar essa percepção positiva em projetos concretos, portanto, será determinante para consolidar o novo posicionamento do Brasil como potência mineral.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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