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Lucro trimestral da Xiaomi cai após três anos e expõe pressão de custos

O lucro da Xiaomi caiu pela primeira vez em três anos, pressionado por custos de memória e concorrência, apesar de receita acima do esperado e crescimento anual robusto.
Imagem de um celular da Xiaomi para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da Xiaomi.
Lucro da Xiaomi cai após três anos com pressão de custos (Imagem: divulgação/Xiaomi)

O lucro da Xiaomi registrou sua primeira queda trimestral em três anos, ao atingir 6,3 bilhões de iuanes no quarto trimestre de 2025. O recuo ocorre em meio ao aumento dos custos de memória e à intensificação da concorrência global. A divulgação do balanço financeiro aconteceu nesta terça-feira (24).

Ainda assim, o resultado da Xiaomi superou a estimativa de analistas, que projetavam 5,7 bilhões de iuanes, segundo dados da LSEG. A receita também avançou, chegando a 116,9 bilhões de iuanes, acima das projeções do mercado.

Esse contraste entre receita resiliente e rentabilidade pressionada indica uma mudança na dinâmica operacional da companhia, especialmente diante do avanço dos custos na cadeia de semicondutores.

Pressão de custos e competição no setor de tecnologia

A pressão sobre margens tem origem, sobretudo, no aumento do custo de memória, que, segundo o presidente Lu Weibing, foi maior do que o inicialmente previsto. O executivo alertou que o cenário pode se prolongar.

“Algumas empresas podem ter dificuldades extremas para operar em um ciclo tão longo de aumento de custos, enfrentar grandes perdas ou até mesmo ir à falência”, afirmou durante teleconferência de resultados.

Nesse ambiente, a Xiaomi avalia a possibilidade de reajustar preços. Segundo Lu Weibing, aumentos podem ser inevitáveis caso a companhia não consiga absorver os custos crescentes ao longo do tempo.

Além disso, a intensificação da concorrência no setor de smartphones e eletrônicos amplia a pressão por eficiência, exigindo ajustes rápidos na estrutura de custos e na estratégia comercial.

Lucro da Xiaomi contrasta com avanço anual

Apesar da queda trimestral, o lucro da Xiaomi acumulado em 2025 cresceu 43,8%. A empresa  alcançou 39,2 bilhões de iuanes. A receita anual também avançou 25%, sustentando o desempenho geral da companhia.

Esse descompasso entre o resultado anual e o último trimestre sugere um ponto de inflexão. Fatores externos, como custos de insumos e disputa de mercado, passam a influenciar de forma mais direta os resultados.

Além disso, a diversificação do portfólio, que inclui smartphones, eletrodomésticos e veículos elétricos, amplia a exposição da empresa a diferentes ciclos de custo e demanda.

Diante desse cenário, o lucro da Xiaomi passa a refletir não apenas a execução interna, mas também as transformações na cadeia global de tecnologia. A capacidade de equilibrar custos, preços e competitividade deve definir os próximos passos da empresa em um setor cada vez mais pressionado por margens e escala.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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